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Small Church

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Vírus na comunicação social (III)

Há umas semanas, a propósito das eleições presidenciais, José António Saraiva escreveu, no Sol, o seguinte:

 “Deve dizer-se que a cobertura da campanha de André Ventura por parte das televisões, dos jornais e das revistas roçou o escandaloso.

Desde a famosa entrevista de João Adelino Faria na RTP a uma grande reportagem na SIC, financiada pela Gulbenkian, transmitida várias vezes durante a campanha eleitoral, cujo objetivo declarado era destruir o candidato Ventura, a falta de isenção chegou a ser chocante.

Ficou a impressão de que, como consideravam Ventura ‘um fascista’, os jornalistas achavam que podiam atropelar a deontologia, deitar fora os princípios e ignorar a verdade, desde que isso contribuísse para o ‘bem superior’ de lhe roubar votos.

Foi deplorável. A democracia não é isto. Ao transgredirmos as regras para destruirmos um adversário, estamos a legitimar que ele faça o mesmo.

Acresce que os jornalistas não devem ter ‘adversários’, porque a sua norma de conduta deve ser a isenção.”

 Um jornalista a falar do seu ofício.

Acontece que o tratamento dado a André Ventura está longe de ser caso único. Pelo contrário, trata-se da regra, quando o que está em causa é impor a tal agenda que se pretende indiscutível. O mesmo tratamento teve Trump, Bolsonaro, Le Pen, Boris Johnson e os governos de direita da Europa Central. Em graus diferentes, é certo, mas a mesmíssima “falta de isenção” que, como diz José António Saraiva, é a negação dos princípios básicos do jornalismo. E a atitude atropeladora da deontologia, ainda nas palavras de Saraiva, não se fica pelo confronto com a extrema-direita, apodada de populista. Ela estende-se a outros pilares da agenda do poder. Na verdade, chegámos ao ponto em que reportagens ou artigos que abordem questões relacionadas com as alterações climáticas/aquecimento global, a ideologia de género, a multiculturalidade, onde se inclui o racismo e a imigração, ficam imediatamente sob suspeita, porque não oferecem a mínima garantia de isenção. Na maior parte dos casos, não passam de meros panfletos. Se não houver da parte do leitor/espetador o trabalho de verificar noutras fontes (se conseguir…) a validade das informações transmitidas, o leitor/espetador corre o sério risco de ser enganado ou manipulado. E tal estado de coisas, como diz o autor do artigo, é a negação do próprio jornalismo.

Uma democracia saudável precisa de uma comunicação social saudável. Ainda que esta diga o que eu não quero ouvir, tem de se impor como fiável, no sentido em que disponibiliza uma leitura abrangente sobre assunto. Pode até “puxar a brasa à sua sardinha”, mas tem de ser fiável, confiável. Não é o que se passa atualmente, pelo menos no que toca à agenda do poder. O vírus anda por aí. Resta-nos o otimismo. Se formos exigentes ainda há esperança na vacina. 

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