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Small Church

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Vírus na comunicação social (II)

É um exemplo entre muitos, um entre centenas de artigos que, ao longo dos últimos meses, e a pretexto da pandemia, tem posto a nu a qualidade do jornalismo que por cá se faz e a sua subordinação a uma agenda bem definida.

Começa logo pelo assunto. Olhando os dados atuais (em 14/02/2021), sabemos que a Suécia, país com uma população igual à de Portugal, conta com 12428 mortes por covid-19, enquanto no nosso país morreram 15321 pessoas com a doença. Tendo estes dados em mente, o primeiro espanto é com o tema principal do artigo: a resistência ao uso da máscara por parte dos suecos. Quer dizer: temos mais mortos que os suecos; confinamos, e eles não; fechamos grande parte da economia, e eles não; fechamos as escolas, e eles não; restringimos a movimentação de pessoas, e eles não; somos obrigados a andar de máscara em locais fechados, e na via pública onde não é possível guardar a distância de segurança, e eles não; desviamos recursos médicos para dar prioridade ao novo vírus (o que causa os tais mortos da “cura” que são quase tantos como os mortos da doença), e os suecos não; e, tendo esta realidade à frente, e os resultados de cada uma das opções, o que interessa ao jornalista é zurzir nos cidadãos suecos, que são, no mínimo, rebeldes, porque não querem usar máscara, e nas autoridades suecas, porque não têm mão sobre eles. Espantoso. Sim, seria espantoso, se isto fosse jornalismo – que, lembre-se, tem como objetivo ajudar-nos a perceber o que se passa à nossa volta. Mas isto não é jornalismo. É apenas uma página panfletária, mais uma, subordinada a uma agenda que alguém decidiu que era a melhor para nós. A Suécia, com o modelo “liberal” que adotou, e referindo apenas exemplos europeus, tem melhor resultados que França, Espanha, Itália, Reino Unido e Bélgica, e piores que os vizinhos nórdicos, Holanda, Alemanha, Áustria e Polónia. Esta constatação parece-me um excelente ponto de partida para uma análise que vise explicar o porquê deste resultado e quais os seus prós e contras. E quem está mais habilitado para tomar esta tarefa em mão são os jornalistas. Mas, como vemos, essa não é, definitivamente, a “praia” deles. Porque este artigo não se trata de uma peça isolada, trata-se, como escrevi no post anterior, de algo transversal a toda a comunicação social.

Apenas mais duas notas.

Porquê a Suécia? Por ser um modelo diferente de abordagem à pandemia, caso único (a Holanda também tentou, mas de uma forma muito mais moderada).  Sendo assim, tudo que for possível realçar de negativo no caso sueco corre a favor do modelo imposto como inevitável e inquestionável.

O pormenor de, em Portugal, o “uso da máscara já é obrigatório na rua há quatros meses”. Uma meia verdade, porque o uso só é obrigatório se não for possível guardar a distância de segurança (dois metros). Parece um preciosismo de rigor da minha parte ou uma desatenção sem significado do jornalista. Mas não é. Estes artigos panfletários servem também para desinformar. Neste caso, passar a ideia de que é obrigatório o uso de máscara no exterior em todas as situações. O leitor até pode ter a noção de que só é necessário quando houver pessoas à volta, mas, pelo sim pelo não... quem sabe se não terá percebido mal, ainda por cima há multas, talvez não valha a pena arriscar… e lá passa o leitor a usar máscara sempre. Claro está que o jornalista que usa a meia-verdade dirá que o faz com as melhores das intenções. O medo e o enviesamento são apenas detalhes num caminho em direção ao bem maior, o tal que a agenda almeja.

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