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Small Church

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Censura na TVI

A expulsão do psicólogo Quintino Aires, após commentários considerados "homofóbicos" é um ato descarado de censura. Porque não estão em causa, pelo menos assim se percebe pelos argumentos dos acusadores, questões relacionadas com desinformação ou calúnia, mas apenas um ponto de vista. É certo que esse ponto de vista recorre a termos  fortes e, eventualmente, inapropriados para se fazer valer. Mas registos deste tipo são muito comuns no discurso televisivo, incluíndo, como é óbvio, o da TVI. Se isso levasse a demissões o corropio nas televisões seria louco. Não foi por isso que Quintino Alves foi despedido. Ele foi despedido porque tinha uma opinião desfavorável sobre um assunto do qual a TVI só permite opiniões favoráveis. Ora, se só um tipo de opinião é permitido, e os outros são silenciados, então estamos perante um caso de censura. Pensemos no que se passava na ditadura do Estado Novo em Portugal, ou no comunismo da Cortina de Ferro, ou noutros exemplos, que, infelizmente, não faltam por esse mundo fora. O "lápis azul" entrava ao serviço quando a verdade oficial, o ponto de vista único, era posto em causa. É para isso que a censura serve, para abafar pontos de vista divergentes, e foi o que aconteceu na TVI.

É importante referir que eu acho que a TVI tem todo o direito à censura. Entidades privadas, cidadãos, gozam desse direito, faz parte da sua liberdade. O mesmo não acontece com o Estado, precisamente para garantir a liberdade dos cidadãos e das entidades privadas.  Não se pode é censurar e depois vir dizer que se "defende causas" (mas não a mais importante, a liberdade) "e elimina tabus" (criando-os também), "apostando na diversidade" (não de perspetivas) "e multiculturalidade que" (não) "são plenamente respeitadas e celebradas”. Censure-se, mas assuma-se a falta de pluralismo.

Passa-se qualquer coisa, mas não é relevante

Sabiam que "mais de 1,3 milhões de migrantes foram detidos na fronteira com o México desde a chegada de Joe Biden à Casa Branca, em janeiro deste ano, um nível inédito nos últimos 20 anos"? Pois, para saberem têm de ler a notícia do Observador quase até ao fim e, antes do parágrafo obrigatório sobre Trump, lá descobrem a informação. Quanto aos restantes orgãos online, nada (pelo menos na minha volta informativa pela net). Imaginem se o presidente fosse ainda Donald Trump, acham que este caos na fronteira sul do Estados Unidos passaria incógnito à maioria dos portugueses? (Costa Ribas, onde estás?!). Sim, sei que estou a chover no molhado, mas já nem ligar é pior ainda. Porque este pacto silenciador que afeta toda a comunicação social portuguesa (neste e noutros assuntos) é uma mancha entranhada na nossa vida democrática. 

O nosso julho

No dia em que se soube que, em Portugal, o passado mês de julho foi mais frio do que é costume (o quinto mais frio dos últimos 20 anos), neste dia a informação climática que importa para a maioria dos orgãos de informação é que na Grécia está calor e que daqui a quinze dias esse calor vem para cá. Se encontrarem  alguma alusão ao nosso julho frio será no cantinho de uma notícia, numas linhas rápidas e envergonhadas. Por isso este post. O julho negacionista merece o mesmo tratamento que os outros meses fora da caixa. Digamos que é uma espécie de justiceirismo climático (mas sem Greta e ursos polares orfãos de gelo).

Porquê?

Para fazer o mal é preciso primeiro que se acredite estar a fazer o bem."  

                                                                   Aleksandr Solzhenitsyn

 

Encontro a frase no início d' “O Manuscrito de Birkenau”, de José Rodrigues dos Santos, a segunda parte do díptico sobre a barbárie nazi durante a Segunda Guerra Mundial (conselho de simples leitor: se tiverem tempo, e estômago, leiam os dois livros). Solzhenitsyn referia-se a outros agentes do mal, que o tinham desterrado para os trabalhos forçados na Sibéria, mas as diferenças ideológicas ou de poder entre o nazismo alemão e o comunismo soviético são meros pormenores face ao princípio, expresso na frase, que assentava em ambos. Nesta universalidade das palavras de Solzhenitsyn está, precisamente, o motivo para a primeira nota. Universalidade até ao eu, como muito bem lembrou a Anabela quando, puxando o assunto para a atualidade, comecei a zurzir nos antirracistas que praticam o racismo ou nos democratas que não têm pejo em lançar mão da intimidação e da censura. Sim, a universalidade quando nasce é para todos. Por isso, cuidado.

Mas para além da tendência global, a frase trouxe-me uma pergunta: Porquê? Porque precisamos do bem como argumento para fazermos o mal? Porque não nos chega apenas dizer “queremos fazer mal, vamos fazer mal e ninguém tem nada com isso”? Até a maior selvajaria precisa de uma justificação “boa” para ser realizada (o livro de Rodrigues dos Santos trata precisamente disso). Porquê?

O futebol não é paixão recente

O interesse pelo futebol não é coisa recente entre os portugueses. Em leituras por jornais antigos cá da terra descobri esta curiosa notícia, de 1938:

A fim de, pela T.S.F., poder ser ouvido o relato do desafio de foot-ball Portugal-Suissa há amanhã energia eléctrica a partir das 15 horas.

A eletricidade chegara à vila 10 anos antes, com a inauguração da Central, num troço do rio, e servia, sobretudo, para iluminação das principais ruas da cidade e das casas daqueles que podiam pagar tal luxo. Por isso, ficava disponível apenas quando a luz natural começava a desaparecer. No entanto, no dia do Portugal-Suiça abriu-se uma exceção: eletricidade às três da tarde para se poder ouvir o relato.  Quanto rádios (“T.S.F.”) havia na vila nessa altura? Por testemunhos de gente que viveu aqueles dias, apenas três ou quatro, não mais. Mas, por poucos que fossem, eram os suficientes para a Câmara ligar a luz mais cedo e manter o pessoal informado de como ia o jogo.

Portugal acabou por perder por 2-1, com o golo luso apontado por Peyroteo, mas a paixão pela bola já estava bem entranhada entre os portugueses.

De mão estendida

Andava há uns tempos há procura destes números, curioso para perceber a sua real dimensão. Encontrei-os aqui, e, confesso, superaram as minhas piores espectativas.

Em 35 anos de União Europeia (ou CEE, como se dizia antigamente) Portugal recebeu 124.830 milhões de euros. Ou seja, e fazendo as contas por dia, aos longos destes 35 anos, “pingaram” em Portugal, vindos da Europa, 9,77 milhões de euros diários. Todos os dias, quer fizesse sol, quer chovesse, quer fosse dia útil, quer fosse fim-de-semana ou feriado, recebemos quase 10 milhões de euros da Europa. Verdadeiramente um país de mão estendida, como titula o autor do post.

Se a isto juntarmos, também em registos alcançados no final destes 35 anos, o brutal endividamento do Estado, em recorde absoluto, e a brutal carga fiscal sobre os contribuintes, também em recorde absoluto, ficamos com uma noção mais clara do rumo que tomámos como país e do que nos aguarda, já ali à frente. Não só “torrámos” grande parte do dinheiro vindo da Europa (uma porção, ainda que pequena, foi bem aproveitada, reconheça-se), como nos endividámos “como se não houvesse amanhã” (expressão perfeita para aqui), e, ainda sedentos, depois de tanto fundo e tanta dívida, carregámos sobre aqueles trabalham e não podem fugir – os contribuintes (sobretudo os da classe média). Resumindo: esbanjamento (nos fundos), irresponsabilidade (na dívida), e cobardia (com os contribuintes). Um quadro pouco abonatório para nós, como país, mas, sem dúvida, realista, olhando a frieza dos números.  

Mira-Sintra no Euro 2020

Ser bairrista é dizer que “Mira-Sintra contribui com 18,2 % dos jogadores para a vitória de Portugal no primeiro jogo no Europeu 2020”. Ou, num exercício ainda mais tendencioso, que “Mira-Sintra e o resto de Portugal vencem a Hungria por 3-0”. Na verdade, dois dos jogadores do onze inicial da seleção portuguesa, que ontem bateu a Hungria no primeiro jogo no Europeu, cresceram em Mira-Sintra – William Carvalho e Ruben Semedo. Portanto, não minto, no meu bairrismo, quando faço tais afirmações, ainda que, reconheço, a objetividade não saia muito bem tratada.

Escrever ou não escrever?

Só na última semana, como amostra.

O Homem deve descer do pedestal e voltar ao seu lugar de “uma entre muitas espécies”, assim proclama, em congresso, o PAN, exibindo, ufano, e para quem tivesse dúvidas, o seu materialismo pagão.

Uma escultura invisível (traduzindo: ar) vendida por 15.000 euros. Golpe publicitário? Lavagem de dinheiro? Talvez. Mas as elucubrações artístico-filosóficas que se lhe juntam mostram que a desfaçatez está de rédea solta e já ninguém parece dar-se ao trabalho de lhe dar luta.

Um amigo que troca argumentos sobre a eutanásia no Facebook, e, sem motivo aparente, porque não usou termos inapropriados, é ameaçado de bloqueio pelo gestor da página (algoritmo?). Conclui que a razão só pode ser o facto de estar contra. Censura, a chegar cada vez mais perto.

Leio, vejo, sei, e pergunto-me se vale a pena escrever sobre os assuntos. Às vezes, não escrever pode ser uma forma de resistência. Uma forma de dizer que a vida é muito mais do que isto, do que nos é mostrado nas “janelas” da televisão e do computador. A vida é mais do que isso. Por outro lado, não escrever é deixar passar sem oposição uma invasão que promete muita coisa má. É fazer como o jornalista que fala da estátua invisível sem uma ponta de ironia ou de contraditório, como se o assunto fosse normalíssimo.

Escrever ou não escrever?

Tento o meio termo: de vez em quando, vou deixando umas notas.

Vintage

As potencialidades de um hino que costumamos cantar aos domingos.  

O refrão, na versão portuguesa, diz assim:

Sim, na cruz, sim, na cruz,

Sempre me glorio,

'Té que ao fim vou descansar,

Salvo além do rio.

Vintage na música e na letra.

Imortalidade

Imortalidade!

Imortalidade!

Não pode ser mito.

Não é mito, não.

 

O refrão de uma canção do tio Serafim (Pastor João Regueiras) que cantámos, ontem, no seu funeral.

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