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Small Church

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Escrever ou não escrever?

Só na última semana, como amostra.

O Homem deve descer do pedestal e voltar ao seu lugar de “uma entre muitas espécies”, assim proclama, em congresso, o PAN, exibindo, ufano, e para quem tivesse dúvidas, o seu materialismo pagão.

Uma escultura invisível (traduzindo: ar) vendida por 15.000 euros. Golpe publicitário? Lavagem de dinheiro? Talvez. Mas as elucubrações artístico-filosóficas que se lhe juntam mostram que a desfaçatez está de rédea solta e já ninguém parece dar-se ao trabalho de lhe dar luta.

Um amigo que troca argumentos sobre a eutanásia no Facebook, e, sem motivo aparente, porque não usou termos inapropriados, é ameaçado de bloqueio pelo gestor da página (algoritmo?). Conclui que a razão só pode ser o facto de estar contra. Censura, a chegar cada vez mais perto.

Leio, vejo, sei, e pergunto-me se vale a pena escrever sobre os assuntos. Às vezes, não escrever pode ser uma forma de resistência. Uma forma de dizer que a vida é muito mais do que isto, do que nos é mostrado nas “janelas” da televisão e do computador. A vida é mais do que isso. Por outro lado, não escrever é deixar passar sem oposição uma invasão que promete muita coisa má. É fazer como o jornalista que fala da estátua invisível sem uma ponta de ironia ou de contraditório, como se o assunto fosse normalíssimo.

Escrever ou não escrever?

Tento o meio termo: de vez em quando, vou deixando umas notas.

4 comentários

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    João Leal 13.06.2021

    Só o artista sabe o que vê naquele espaço. Esta afirmação é objetiva mas o suposto objeto artístico não o é. Como pode ser o jornalista objetivo acerca de algo que só está acessível e pode ser descrito por uma só pessoa, ou seja, que é subjetivo? O "exercício de arte" (podemos tirar-lhe a muleta do "contemporâneo" uma vez que ser considerado arte é suficiente) é um "eu digo, logo é" ao que o jornalista "objetivo" adere acriticamente, entrando no jogo que é esse "eu digo que é, logo é" ou "eu digo que sou, logo sou", em auto proclamações infantis ou idiotas da Realidade.
    A arte passou a ser a linguagem que a explica, acho que era isso que queria dizer. É uma tragédia para a Cultura que, de facto, é inegável.
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    concha 13.06.2021

    Tragédia também chamaram ao impressionismo… assim como infantis e idiotas.
    E é ótimo que a arte cumpra alguns dos seus papéis, como inovar e pôr em causa o seu próprio papel.
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    João Leal 14.06.2021

    Muito bem não respondido. Deixa a impressão de prestigio intelectual referindo reções ao impressionismo, misturando limões com maçãs ou o que o valha, e define, desde logo, um oceano profundíssimo e larguíssimo impossível de explorar, referindo "um dos papéis da arte" (ela terá vários, calcula-se que muitos, ou serão poucos. Quantos? 20, 200, 3? Quais? Não estão definidos, claro! Que palermice, céus! Querer objetividade que defina símbolos em comum entre as pessoas, onde é que já se viu?) A arte é o que você quiser. A sua linguagem é que manda. Não podia ser mais exemplar. Quase que dou os parabéns. É uma verdadeira
    concha dos nossos tempos!
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