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Small Church

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O que disse o Presidente sobre os evangélicos?

Nunca, depois do 25 de Abril, as palavras de um Presidente da República valeram tão pouco. Gastas de tanto uso, proferidas a horas e a desoras, atoladas em banalidade - das "incidências" do jogo da seleção às intrigas palacianas que visivelmente entusiasmam Marcelo, as palavras presidenciais contam cada vez menos, sobretudo para quem deviam contar - os cidadãos. E não é bom que assim seja.  O desgate de Marcelo Rebelo de Sousa vai além da mera questão pessoal, significa a desvalorização da primeira figura do Estado, uma voz com responsabilidade e peso na vida democrática.

Vem este desabafo a propósito de uma entrevista (mais uma...) dada pelo Presidente, neste caso à SIC. Não a vi, como é óbvio (depois do que escrevi acima...), mas a minha atenção foi chamada para ela por um artigo de opinião publicado ontem n'O Observador. Ao ler o texto deparei-me com este parágrafo:

"A dada altura, Anabela Neves introduz a questão do Chega. Aqui, somos brindados pela capacidade analítica de Marcelo Rebelo de Sousa ao afirmar que não compreende o discurso do partido sobre imigração porque, e cito, “dois terços do eleitorado desse partido é de imigrantes Brasileiros e porventura Africanos”. Para além de isto ser simplesmente mentira – no inquérito pós-eleitoral de 2022 existe uma pergunta sobre a origem geográfica dos eleitores e 96.77 por cento dos respondentes que afirmam ter votado no Chega confirmam ter nascido em Portugal – Marcelo deixa ainda um subtexto em que tenta remeter a responsabilidade da ascensão e consolidação do Chega para os imigrantes e para os seus valores “ligados a Igrejas Evangélicas”. Não foi bonito. Num país sério, estas declarações verdadeiramente xenófobas exigiriam um pedido de desculpas oficial por parte de Belém." 

O que disse, concretamente, o Presidente sobre os evangélicos? Generalizou? Foi impreciso? Falou do que não sabia? E antes disso: ainda importa tirar a limpo o que diz ou já não vale a pena ligar? O Presidente ainda fala ou já ouvimos apenas Marcelo? E eu: já desisti ou ainda há por aqui uma pontinha de exigência e capacidade de indignação?

O censor

Ainda a atitude censória do Presidente da Assembleia da República.

Em declarações ao Expresso, Augusto Santos Silva defende-se afirmando que “de um lado está todo o discurso político, por mais violento que seja, e do outro o discurso do ódio”, recorrendo, assim, e sem surpresas, ao argumentário típico dos censores. Liberdade de expressão e de opinião, tolerância e diálogo para todos, com certeza, menos para os que utilizam o “discurso do ódio”. Esses não têm direito a ser escutados porque se colocam fora do jogo democrático. E o que é o “discurso do ódio”? Trata-se de uma designação suficientemente vaga e arbitrária para onde, neste caso, o censor envia aqueles que acha que não devem ter os mesmos direitos que os outros. Os comunistas vociferando contra os capitalistas e o patronato; os animalistas acometendo contra os adeptos da tourada; os bloquistas atacando os nacionalistas; os nacionalistas atacando os multiculturalistas; Joacine Katar Moreira desejando o pior aos brancos; todos estes têm “discurso de ódio”? Não, no caso deles é apenas “discurso político violento”. Então qual o critério objetivo para decidir? Nenhum. O critério é a opinião, os preconceitos e a estratégia política de Augusto Santos Silva. Ele é o censor, e como tal toma para si a capacidade de decidir o que é “discurso de ódio” e de agir em conformidade com o rótulo que ele próprio colou.  

É grave que isto aconteça na casa da democracia portuguesa.

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