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Small Church

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Em campanha - os comentadores

Os debates televisivos que marcaram a pré-campanha - e seguramente a campanha que agora entra na reta final - trouxeram para primeiro plano a figura do comentador. De facto, enquanto o candidato em debate não chegava a ter 15 minutos para ser ouvido, o espaço de comentário que se seguia extendia-se com facilidade por duas ou três vezes esse tempo. Isto veio realçar o papel  do comentador. E mostrar como muitos deles, ao melhor estilo dos congéneres do futebol, estavam mais empenhados em servir como caixa de ressonância da sua "cor", debitando ideias e sound bites previamente acordados, do que em comentar o que tinha sido dito. Isto foi de tal forma que muitas vezes me interroguei se o comentador tinha visto o mesmo debate que eu. 

Perante esta realidade, que, obviamente não é de agora, e tendo em conta o que nos vão dando as sondagens, uma das novidades que estas eleições nos poderão trazer é a renovação do panorama comentadorístico televisivo. Na verdade, se Chega e Iniciativa Liberal se colocarem acima, ou ao nível, de bloquistas e comunistas, terão toda a legitimidade para reclamar "tempo de antena" nesse espaço vital na disputa pelo poder - como vimos acima. E esse acesso ao púlpito mediático irá provocar uma rearrumação de forças que, em minha opinião, favorecerá as novas vozes e prejudicará as que já lá estão e terão de ceder espaço. Este acesso ao espaço de comentário será mais um contributo para consolidar a mundança que parece estar em curso. 

Em campanha - o animalismo

No fim do ano passado ficámos a saber que atualmente em Portugal se gasta mais em seguros de animais do que com seguros para crianças. Haverá, por certo, algumas explicações para a situação, como o facto de haver seguros obrigatórios para animais e os custos elevados com veterinários aconselharem alguma prevenção. Ainda assim, não deixa de ser um dado impressionante. Há uns anos uma pessoa próxima confidenciava-me, entre o choque e a ironia, que na sua declaração anual do IRS tinha diminuído o valor dedutível para as despesas escolares dos filhos, mas, em compensação, tinha passado a poder deduzir os gastos com o gato no veterinário. Não é novidade, portanto, esta sobrevalorização dos animais em relação aos humanos (neste caso, os humanos mais frágeis, as crianças). Aliás, para quem está atento, esta sobrevalorização manifesta-se em muitas facetas do nosso quotidiano. Nas prateleiras com comida para animais nos supermercados, por exemplo, que são duas ou três vezes mais extensas do que as direcionadas às crianças. Ou na própria lei do país, como demonstram duas intervenções recentes dos tribunais. Uma deixando sem qualquer pena a mãe que deitou ao lixo o filho recém-nascido (que não morreu apenas porque alguém passou perto e ouviu o choro). Outra, recuperando, a propósito da verificação da sua constitucionalidade, uma sentença de 2018 onde um homem foi condenando a dezasseis meses de prisão efetiva por ter matado uma cadela durante uma tentativa de aborto a sangue-frio. Ou seja, pelo bebé zero, pela cadela dezasseis meses. Sem dúvida que a fronteira entre humanos e animais se vai esbatendo, e essa não é seguramente uma boa notícia, pelo menos numa perspetiva cristã.

Nestas eleições o representante do animalismo é o PAN. Que se apresenta com obra feita. De facto, na Assembleia da República, trocando os seus votos, importantes num contexto de maioria relativa, por capacidade legislativa, o PAN foi o grande responsável pela transposição para a lei de princípios animalistas. Seguramente, quererá continuar o trabalho na próxima legislatura, ainda que em campanha a imagem que tente passar seja a de um partido inócuo, oscilando entre o extravagante e o “fofinho”.

Em campanha - erro de casting

Francisco Rodrigues dos Santos é um enorme erro de casting que pode custar muito caro ao CDS.

Em primeiro lugar, nunca um líder conservador se pode furtar ao sufrágio interno se quer apresentar-se com credibilidade ao sufrágio externo (um líder, em geral, percebe essa fragilidade e, mesmo contrariado e engolindo sapos, evita-a – veja-se Rui Rio).

Depois, também não pode vir lavar roupa suja em direto nas televisões, esganiçando-se, mesmo que o motivo seja um eventual apunhalamento pelas costas. Um conservador acredita no funcionamento das instituições, neste caso, os órgãos do partido, e não vem para a rua tentar legitimar, com queixinhas, a sua posição.

Por fim, e reportando-me ao debate de ontem com André Ventura, um líder conservador não pode deitar mão ao arsenal populista para tentar derrotar um populista. Por duas razões. Porque não ganha nada com isso, em termos de votos – para quem gosta, o original é sempre melhor do que a imitação. E porque mostra pouca convicção nos seus princípios. Combatividade é uma coisa, vale-tudo é outra.

Julgo que o CDS vai sair maltratado destas eleições. O grande desafio, neste momento, é o partido sobreviver a Francisco Rodrigues dos Santos.

Desobediência da má

"Desobediência qualificada"? Esta é da má, e, por isso, tem de ir a julgamento. Façam o favor de não confundir com a versão benigna, digamos até, saudável, dos duros anos de Passos Coelho, quando as "grândoladas" e afins marcavam presença quase diária nos telejornais.

Agora a sério: quantos foram a julgamento por ações semelhantes no tempo de Passos Coelho?

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