Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Small Church

Small Church

A sobrevivência da notificação mais apta dará cabo da amizade?

Tenho reparado que o tempo de resposta, quando esta chega a ser enviada, é cada vez mais longo. Contactos por SMS ou e-mail, que antes seriam respondidos com a rapidez de uma amizade, hoje podem demorar um ou dois dias a ser respondidos (quando o são). Há uns anos, ignorar o contacto de alguém seria negligência e motivo legitimo de dor e chatice. Hoje, entre amigos, o não responder é considerado natural.

A resposta que eu tenho para a questão de como é que esta faceta social mudou tanto, e em tão pouco tempo, é que o devemos à ubiquidade do smartphone.

Aí está a mente a tentar lidar com um aparelho através do qual recebe mensagens de uma série de origens diferentes como SMS, e-mail, Whattsap. Instagram, notificações de notícias, Facebook e outras. As notificações diárias multiplicam-se quando, antes, com os telemóveis clássicos, só havia o SMS. O objeto que tínhamos na mão recebia uma mensagem e nós, naturalmente, atribuíamos-lhe toda a nossa atenção, respondendo logo à interpelação do nosso amigo ou conhecido.

Eu, que depois de uns tempos de uso pus de lado o smartphone, usando agora um Nokia à antiga simplicíssimo para comunicar,  deixei de estranhar que o envio de uma mensagem a alguém conhecido, ou mesmo a um bom amigo, não tenha qualquer resposta. Calculo que a minha tentativa seja só uma entre dezenas de outras com uma dúzia de origens e que, na triagem, a minha amizade ou importância como pessoa seja classificada como não urgente.

Não coloco em causa a legitimidade de ignorar contactos, mas fico a pensar como é que será o futuro conforme a comunicação vai ficando cada vez mais dependente deste tipo de aparelhos. Mediada por eles, conseguirá a intimidade de uma amizade prevalecer na sua importância, que tem sido fundamental para a humanidade, perante tanta dispersão e falta de atenção?     

O planeta compreende

- Pai, vem-me buscar, a manifestação contra as alterações climáticas já acabou.

- Ok, saio já. Mas ainda devo demorar um bocado porque o trânsito nessa zona está complicado.

- A sério?! Que azar... é que eu ainda quero sair com o pessoal hoje à noite e, por este andar, estou mesmo a ver que vou perder a boleia.

- Pois... mas pode ser que ainda dê. Vou sair já. De qualquer maneira, não te preocupes, porque se perderes a boleia eu empresto-te o carro. 

Um pedido ao CDS

Era bom que o CDS parasse para pensar, percebesse qual o seu papel, e a importância dele, e agisse em conformidade enquanto é tempo. A direita precisa disso. Os eleitores, em geral, precisam disso. Na verdade, a clarificação à direita, que aconteceu com entrada do Chega e da Iniciativa Liberal no Parlamento, é provavelmente a grande novidade política dos últimos anos. As opções à direita estão, agora, definidas com suficiente precisão para, quem assim o desejar, poder votar de acordo com as convicções pessoais. Senão, vejamos:

Quem é liberal na economia e liberal nos valores/costumes vota Iniciativa Liberal;

Quem defende o liberalismo económico, mas nos valores/costumes é conservador, vota CDS;

Quem prefere as ideias conservadoras nos valores/costumes, mas, quanto à economia, tem simpatias estatizantes (os populismos são sempre estatizantes), segue a opção Chega.

Desta forma, e de um modo geral, o espectro da direita está preenchido. E isto é bom para ela, porque a clareza de ideias alarga o leque de opções. E é bom para os eleitores, porque podem pensar e decidir o voto segundo os seus princípios e convicções, deixando para lugar secundário a personalidade dos candidatos e os fait-divers lançados na comunicação social.

O que acontece atualmente no CDS é um passo atrás nesta clarificação: um partido conservador/liberal não se comporta assim. Por isso o meu pedido. Arrumem a casa, que ainda há tempo, e vão às legislativas com a compostura inerente aos princípios que dizem defender.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D