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Small Church

Small Church

Perder a casa da avó

Entro com cuidado e respeito. Sei que deverá ser a última vez que visito a casa da avó.
Enquanto ando com reverência pelas pequenas divisões desta catedral, vou percebendo que o fim deste lugar é o anúncio também do meu.
Um dia as crianças que trouxe comigo, as minhas filhas, deambularão de luto e em despedida por uma casa que eu terei habitado.
Recolho uns poucos objetos para me lembrar de quem aqui habitou e que eu ainda tanto amo.
Demoro-me. Comento. Narro pequenas histórias ao ver uma figueira, um espelho e um portão. Vejo, sem dizer, o tio a dormitar no sofá depois do almoço. Oiço a voz da avó misturando português e castelhano.
Fecho, por fim, a porta.

Perco hoje parte da minha infância, que deixa de ter o conforto de ter este sitio onde regressar

Censura na TVI

A expulsão do psicólogo Quintino Aires, após commentários considerados "homofóbicos" é um ato descarado de censura. Porque não estão em causa, pelo menos assim se percebe pelos argumentos dos acusadores, questões relacionadas com desinformação ou calúnia, mas apenas um ponto de vista. É certo que esse ponto de vista recorre a termos  fortes e, eventualmente, inapropriados para se fazer valer. Mas registos deste tipo são muito comuns no discurso televisivo, incluíndo, como é óbvio, o da TVI. Se isso levasse a demissões o corropio nas televisões seria louco. Não foi por isso que Quintino Alves foi despedido. Ele foi despedido porque tinha uma opinião desfavorável sobre um assunto do qual a TVI só permite opiniões favoráveis. Ora, se só um tipo de opinião é permitido, e os outros são silenciados, então estamos perante um caso de censura. Pensemos no que se passava na ditadura do Estado Novo em Portugal, ou no comunismo da Cortina de Ferro, ou noutros exemplos, que, infelizmente, não faltam por esse mundo fora. O "lápis azul" entrava ao serviço quando a verdade oficial, o ponto de vista único, era posto em causa. É para isso que a censura serve, para abafar pontos de vista divergentes, e foi o que aconteceu na TVI.

É importante referir que eu acho que a TVI tem todo o direito à censura. Entidades privadas, cidadãos, gozam desse direito, faz parte da sua liberdade. O mesmo não acontece com o Estado, precisamente para garantir a liberdade dos cidadãos e das entidades privadas.  Não se pode é censurar e depois vir dizer que se "defende causas" (mas não a mais importante, a liberdade) "e elimina tabus" (criando-os também), "apostando na diversidade" (não de perspetivas) "e multiculturalidade que" (não) "são plenamente respeitadas e celebradas”. Censure-se, mas assuma-se a falta de pluralismo.

Passa-se qualquer coisa, mas não é relevante

Sabiam que "mais de 1,3 milhões de migrantes foram detidos na fronteira com o México desde a chegada de Joe Biden à Casa Branca, em janeiro deste ano, um nível inédito nos últimos 20 anos"? Pois, para saberem têm de ler a notícia do Observador quase até ao fim e, antes do parágrafo obrigatório sobre Trump, lá descobrem a informação. Quanto aos restantes orgãos online, nada (pelo menos na minha volta informativa pela net). Imaginem se o presidente fosse ainda Donald Trump, acham que este caos na fronteira sul do Estados Unidos passaria incógnito à maioria dos portugueses? (Costa Ribas, onde estás?!). Sim, sei que estou a chover no molhado, mas já nem ligar é pior ainda. Porque este pacto silenciador que afeta toda a comunicação social portuguesa (neste e noutros assuntos) é uma mancha entranhada na nossa vida democrática. 

A saúde mental dos jovens e as Alterações Climáticas

Era inevitável. Os mais novos estão com níveis de ansiedade e pessimismo muito elevados devido às Alterações Climáticas.

A pesquisa “global”, que foi feita em 10 países para um total de 10 mil jovens entre os 16 e 25 anos, resume que:

Muitos têm a perceção que não têm futuro, que a humanidade está condenada e que os governos estão a falhar em responder adequadamente.

Muitos sentem-se traídos, ignorados e abandonados por políticos e adultos.

Quase 60% diz estar muito ou extremamente preocupados.

Mais de 45% diz que os seus sentimentos acerca das Alterações Climáticas afetam o modo como vivem o seu dia-a-dia.

75% diz que o futuro é medonho.

56% diz que a humanidade está condenada.

2/3 declaram que se sentem tristes, com medo e ansiosos. Muito sentem medo, raiva, desespero e vergonha.  

4 em 10 estão hesitantes em ter filhos.

Devido aos incêndios que se repetem, Portugal é tido como a nação rica mais preocupada entre todas as que foram escrutinadas.

Tudo isto é pavoroso e um exemplo incrível de como se pode manipular a opinião pública em massa. Retirar a esperança aos jovens é mau e contranatura.

Porque é que isso acontece? Porque deixou de existir espaço público para haver contraditório e  as Alterações Climáticas terem sido o primeiro assunto político a ser considerado acima de qualquer discussão de um modo moral. Isto é, se discordas és imoral e um patife. Os jovens não têm acesso a outros pontos de vista, como acontece com tudo o resto. 

Talvez este post nunca pudesse ser colocado em destaque no Sapo. Talvez o considerassem imoral ou capaz de trazer má publicidade à plataforma por permitir que algum tipo de dúvida em relação ao assunto seja destacada, algo considerado perigoso. É meramente um exemplo hipotético, uma vez que não conheço a política editorial do Sapo. Até tenho a ideia contrária, confesso.

É bizarro mas os factos são apresentados por ativistas que não admitem o diálogo. À Reuters, Caroline Hickman, a psicoterapeuta que conduziu o estudo e que é especialista na relação dos jovens com a ecologia, diz que a “Eco-ansiedade é um sinal de saúde mental, uma resposta inteiramente apropriada ao que se está a passar”. É citada ainda no Le Monde referindo que as feridas que os governos, devido à inação, estão a inflingir aos jovens é um caso de Direitos Humanos.  

O distanciamento científico da autora perante os dados é inexistente porque, enfim, não faz sentido existir, uma vez que não há escrutínio e aquele que falar sobre um qualquer erro é demonizado de imediato. O estudo foi feito e desenhado para obter uma só conclusão e naturalmente obteve-a. 

Houve alguém que disse há uns tempos “Deus nos livre de ser governados por psicólogos e psiquiatras”. Não poderia estar mais de acordo.   

Pacto com a Felicidade 16 – A Luz de Deus na voz de Lorraine Hunt Lieberson

 

Handel, compositor alemão. Oratorio Theodora

Ah! Whither should we fly, or fly from whom?
The Lord is still the same, today, for ever,
And his protection here, and everywhere.
Though gath'ring round our destin'd heads
The storm now thickens, and looks big with fate,
Still shall thy servants wait on Thee, O Lord,
And in thy saving mercy put their trust.

 

As with rosy steps the morn,
Advancing, drives the shades of night,
So from virtuous toil well-borne,
Raise Thou our hopes of endless light.
Triumphant saviour, Lord of day,
Thou art the life, the light, the way!

 

 

 

 

 

Alma de Pardal

O armazém é quente e húmido. Todos os dias de Verão são maus dias de trabalho porque além da temperatura há que executar tudo intensa e duramente, dentro do ar viciado. Transportar anéis, bicicletas, móveis, canetas, ou qualquer outra coisa que o cliente tenha licitado. Todos os dias até à exaustão. Todos os dias até que finalmente seja hora de ir para casa.

Durante a manhã entra um pardal. Fica perdido dentro do armazém, esvoaçando, procurando um escape. Embora óbvia para os humanos, o pardal fica cansado de procurar a saída, não conseguindo discorrê-la. Se não for um estratagema de um coração dócil a consegui-lo, o animal conhecerá o pânico, a fome e o desespêro pela privação de liberdade.

E nisto os colegas de quem se tem dificuldade em gostar, mesmo tentando. Os conselhos que são armadilhas, as incompetências, os comentários estúpidos e injustos nas costas e os egos insuflados de justificações requentadas e trazidas de casa. Tudo em catadupa, em contínuo e a cada dia.

 

Final de sexta-feira. No meio disto, já com fim de semana à vista, suado, cansado e sem negligências, deixo cair uma pequena coluna de mármore, caríssima, transformando-a num amontoado de cacos de luxo e metais amolgados. Trabalhada, engastada e polida, mas lixo. Calculei mal a base do transporte. Olhei para o lado errado por dois segundos. Fiz asneira. Depois de ter partido três pratos caros duma vez só, meses atrás, tive de encarar nova fúria do chefe e deixei uma carreira que detesto cada vez mais por um fio.

 

A semana chega ao fim. Fecha-se o armazém e o bulir dos negócios. Param as transações de euros e carros cheios de tralha. Arrumam-se os objectos anteriormente fora do sítio. O entardecer dará lugar à noite. O pó assenta. Chega o silêncio e o vazio de gente.

O pardal ficará só, esvoaçando no escuro até ao fim. Morrerá durante o fim de semana, perdido de angústia.

A Arte, que é como quem diz. a arte

O estado da arte, segundo o Ípsilon, o suplemento cultural do jornal Público, de 3 de setembro de 2021:

Artigo 1: Instalação sobre a violência da glorificação do colonialismo omnipresente na cidade de Lisboa
Artigo 2: Trienal do Báltico Queer
Artigo 3: Os filmes de terror de Sérgio Romero como comentário político
Artigo 4: Filme sobre ser LGBT numa ilha
Artigo 5: Filme sobre como algumas pioneiras da exploração sonora não tiveram as mesmas oportunidades que os homens
Artigo 6: Filme de João Mário Grilo sobre Arpad Szenes e Vieira da Silva

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