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Small Church

Small Church

A fórmula da tentação

Uma formulação e a resposta

- Eva, esta árvore dá frutos deliciosos. Se quiserem é vossa, oferta minha. Só têm de a plantar. É fácil. Pedes ao Adão que cave um buraco, tem de ser fundo, e colocam a árvore com um pouco de estrume junto à raiz. Depois escolhem a terra melhor e tapam – cuidado para a terra não ficar demasiado compactada. Vão regando com frequência, o ideal é montarem um sistema gota-a-gota, tirando as ervas e curando quando for necessário. Se tudo correr bem, no fim do segundo ano já há frutos para comer. Muito fácil. Ficam com a árvore?

- Hum… deixa-me falar com o Adão… depois dizemos-te qualquer coisa.

 

Outra formulação e a resposta

- Eva, olha esta maçã espetacular! Queres uma trinca?

- Sim.

Legado de Família

Para pessoas pouco abastadas, que não deixam dinheiro, casas ou barcos aos filhos, a sua herança aos seus pode muito bem ser melhor do que as já referidas. A minha mãe, hoje muito velhinha, o que me deixou foi na forma de "valores". O valor de Jesus Cristo, e de como a minha vida pode ser melhor e valiosa, para mim e para os outros. Honestidade, sinceridade, humildade, o valor dos outros e muitas, muitas outras pérolas, bem mais valiosas do que bens materiais. Para ser franco, estou aquém daquilo que ela representa. Mas sempre em progresso.

Mas deixou outras coisas. Além do Bolo Borrachão, uma delas, absolutamente simples, como só a minha mãe sabia fazer: pasteis de bacalhau. E outra igualmente simples e ainda mais óbvia: o meu irmão amar aqueles pasteis de bacalhau.

Isto faz-me recuar com a memória. Viver algumas boas recordações de infância. A minha idade dá-me este crédito, finalmente: dizer coisas nostálgicas sem parecer demasiado mal.

Em bom tempo pedi à minha mãe a receita. E é isso mesmo que me proponho doar à humanidade, visto este blog ser público. Sei que a minha mãe aprovaria. Aqui vai.

Ingredientes: Uma posta de bacalhau cozida; batata cozida do mesmo peso; um dente de alho; um ramo de salsa; dois ovos e não menos que isso.

Instruções: Desfiar, esmagar e moer bem o bacalhau com a batata, juntar a salsa e o alho bem picados, bem fininhos, e juntar os ovos bem mexidos. Fazer as formas finais usando duas colheres de sopa e carinho. Fritar em óleo. Et voilá!

pasteisBacalhau.jpg

Foi o que fiz, uma hora atrás para o meu jantar. Ficou bastante bom. Mas, há que dizê-lo com sinceridade, a mil quilómetros de distância daqueles que a minha mãe fazia.

Lembrei-me do meu irmão. Era o Zé Luis que eu queria que estivesse aqui comigo. Se ele estivesse havia de fazer também um arrozinho de tomate. Havíamos de comer os pasteis com arroz, tranquilamente, para fechar o último Domingo de calor do ano em grande estilo. Depois olhávamos um para o outro, com um sorriso amarelo e dizíamos em côro: "Naaaa. Não é o da mãe!"

Deixei de fumar há um ano

Fui um viciado durante 30 anos. Deixei de fumar no dia 18 de outubro de 2019.

Investi milhares e milhares de euros na vontade de aplacar a ansiedade quando a escassez de dinheiro sempre foi uma preocupação ao longo de toda a minha vida adulta. Tive sorte e terminei somente com uma parte do pulmão esquerdo um pouco danificada. Nada de mais. Nada de complicado.

(Não te enganes. Os vícios não te deixam alternativa. São extraordinárias ratoeiras feitas de material molecular e neuronal. Não tomes para ti um hábito que sabes, pelo que acontece à tua volta, poder tornar-se um vício. Não te iludas com a tua ideia arrogante e amplificada de auto-domínio)

Avisaram-me previamente que poderia ficar deprimido durante uns tempos. Aconteceu, mas mais que deprimido, fiquei baralhado. Afinal, tratava-se de algo que pratiquei desde a adolescência e o seu peso no meu tempo e atenção eram gigantes. Esforcei-me por aprender a preencher as lacunas o mais rapidamente possível. Foi difícil. Contudo, conforme novas atenções e vontades se iam encaixando nos meus hábitos, maior era a sensação de satisfação. Era como se uma versão minha até então desconhecida, uma melhor, mais eficaz e produtiva, se fosse instalando aos poucos, saudável, ao longo dos dias.

Eu não acreditava que fosse possível.

A de 6 anos já não se lembra de mim a fumar. Para ela será bizarro o pai ter sido fumador. 

Tinha marcado um ano. Tinha-me dado esse tempo para me habituar a esta nova vida, para me habituar com calma. Agora que esse período passou, um que foi tanto de luto e tristeza por uma parte de mim desaparecida como de descoberta por características positivas de personalidade que estavam bloqueadas, dou o passo seguinte, um muito mais difícil do que deixar de fumar. 

Talvez até aqui a minha vida tenha sido somente uma longa e complicada gravidez do que de novo aí vem, desta segunda parte que hoje começa.

Soli Deo Gloria

O vírus do regime

No dia em que se bate o record de infetados com covid-19, o primeiro-ministro avisa que "não se pode 'parar tudo' outria vez". 

Parece que, afinal, vão mesmo por a economia à frente das pessoas.

Parece que, afinal, os "maus" que não confinaram quando nós confinámos (Suécia, Estados Unidos e Brasil), e por tal ousadia eram unanime e permanentemente zurzidos (o insulto mínimo era "irresponsáveis"), parece que, afinal, o seu  modelo vil (não parar a sociedade e proteger os grupos de risco) vai ser adptado por nós.

Parece que comunicação social vai assobiar para o ar, ou seja, vai continuar a falar de Trump ou das encenações em torno do orçamento do Estado, e esquecer-se do que ela e o regime diziam há apenas quatro ou cinco meses, esquecer-se de confrontar o poder com as suas flagrantes contradições.

Parece que os fiéis adeptos do "Estado papá", omnipresente a cada passo na vida dos cidadãos, a começar pela carteira (a maior carga fiscal de sempre), parece que vão apelar à responsabilidade individual. Responsabilidade individual faria todo o sentido com outra gente à frente do país, com os que lá estão agora soa apenas a um desavergonhado "desenrasquem-se!" O Estado que mete o nariz em tudo é o primeiro a virar as costas quando as dificuldades exigem liderança? Parece que já vi isto em qualquer lado. 

 

Gostar de Cães

Não sou uma pessoa de cães. Ao longo da vida tenho tentado perceber melhor as pessoas que preferem cães a pessoas, ou que os tratam como filhos ou netos ou crianças, e acho que vou conseguindo. São histórias muito bonitas e, por vezes comoventes, que vão aos poucos mudando a minha perceção acerca do assunto.

Uma das que me ajudou um pouco foi a de Edward Elgar e dos seus dois cães. Cheguei à mesma através de uma composição de 1933 que o inglês dedicou à sua cadela Mina, uma Terrier. Vale a pena ouvir. É magnífica.

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