Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Small Church

Small Church

Crucifixo de pano sob fundo do dia que acaba

Talvez não pudesse ter sido de outro modo. Suponho que não, que o vidro fosco que nos embotava a visão não iria deixar de lá estar mesmo que fôssemos mais valentes. Recolhemos da chuva, ainda assim, menos calma e perspicácia do teria sido o melhor, (o melhor, então sempre para lá da nossa compreensão).

Por exemplo, falhámos em tanta coisa. Não só como pianos com algumas cordas em falta. Não só como um passe demasiado longo que sai pela lateral. Não só como um gesto tremente de quem não sabe como domar a angústia. Não só como insetos imóveis no âmbar. Falhámos, eu e tu, logo no início: não na perceção de que nunca seríamos capazes de ombrear com os gigantes, mas na constante de pequenez que nos auto atribuímos nas nossas regras físicas particulares.

Concedo que seja tarde demais para a música, para a escrita ou para o mistério da combinação das linhas e das cores. Outros mundos nasceram, aparecendo de surpresa, tenazes de alegria e sorrisos, suaves como o toque de uma palma de mão na nossa testa.

(temos quem nos trate da febre. E esta?)

(falo de harmonia, acreditas?)

Talvez não pudesse ter sido de outro modo. Suponho que não, que o vidro fosco ainda nos enevoe os dias apesar da nossa indesmentível coragem. Devíamos brindar ao som do Landslide e depois atirar os copos à parede e pisarmos os cacos com o Starla em fundo.

Para VB

Hoje de manhã, numa longa, húmida e produtiva caminhada, com muito VB e Castor71, percebi que o meu espertofóne não tem volume suficiente para o Pisces Iscariot e as guitarras de Corgan.

Um Soco Doloroso no Estômago às Voltas

Pensava que esse gajo já não existia. Aquele tipo paradoxal do cabelo comprido e pontas espigadas. Aquele jovem contraditório a quem a vida aleijava e deixava aleijado só pelo simples facto de que tudo não era perfeito. Aquele ser que devia ter vergonha de saber tudo não sabendo nada. Aquele rapaz feito de milhões de blocos minúsculos de solidão que nunca se encaixavam sem divina cola e que jamais verdadeiramente entendeu os outros ou a si próprio.

Aquele ser feito farrapos de carne, tripas e ossos todos juntos, fita-colados de pele. Aquele miúdo com borbulhas e fones que já não consegue contar a sua história. Aquele que já não sonha nem alguma vez alcançou o que em tempos sonhou.

Está de volta. Não sei que lhe faça.

Sala de espera - V

Homem bem entreado nos setenta, cabelo escasso e branco, cumprimentou-me e, ato contínuo, puxou a cadeira:

- Importa-se que me sente? É que com isto das dores só estou bem sentado...

- Faça favor, a cadeira está aí para ser usada.

- Isto da vida tem coisas engraçadas. Quando era mais novo brincava com o meu sogro por ele ter um banco em cada canto da casa. Tinha um na cozinha, outro debaixo do sobreiro, outro junto à churrasqueira... Eu brincava com ele mas agora estou na mesma. Até digo que esses bancos foram a melhor coisa que o meu sogro me deixou.

Capitalismo

20190619_130020.jpg

Pode ter sido sem querer. Mas parece-me uma extraordinária instalação sobre Capitalismo sobre a qual nem a Colecção Berardo desdenharia.

Castanho

"Joana Barrios volta a pintar o cabelo de castanho e conta-nos o porquê".

Não me dei ao trabalho de ler a notícia para além do título, é verdade. Mea culpa. Mas a avaliar pelo facto de que aparece nas notícias do Sapo, a razão deste anunciável regresso deve ser algo de muito especial para o mundo.

Daí eu lançar este desafio aos leitores deste blog: Vamos adivinhar qual a razão (muito importante, claro) para esta figura pública ter mudado a cor do cabelo para castanho. (Nunca tinha ouvido falar da personagem, mas se está nas notícias não deverá ser só por ser amiga da pessoa que mete as notícias.) Quem se atreve a descobrir a razão de voltar ao castanho? Não vale fazer batota e ir ler a notícia!

 

Pintar o cabelo de castanho?... Mal sabia a minha mãe que passou toda a vida a ser elegível para aparecer nas notícias a qualquer momento!

Até que chegue, estarei aqui

Eis a minha religião que nada sabe acerca da morte, da natureza da alma, do mundo espiritual e que não se curva a livros. Eis a minha religião capaz de imaginar que há alguém total, de características metafísicas únicas, que nunca se mostra e que é capaz de me ouvir e influenciar o modo como eu vivo.

Deus. Que palavra esta! A mais deslumbrante e disputada e a menos capaz no nomear.

Antes que os braços da catástrofe me agarrem e empurrem o rosto contra o chão, e os meus ossos se quebrem, e o desespero me faça gritar por misericórdia, e a loucura da dor e da minha fraqueza me reclame, estarei nesta casa de silêncio, luminoso espaço de janelas altas e conforto de passos ecoando nos tetos antigos, atento à tão ínfima revelação divina. O espírito de Deus, esse sopro quieto e reservado, é lido pela minha mente em cada sala e quarto, em cada pedaço escondido do jardim, suficiente, bastante, perfeito.

Não preciso saber mais do que isto.

Em nome de Quê

Há nomes bem apropriados, ou que são, precisamente, inapropriados. Por exemplo, "Carlos Moedas", parece-me um nome que assenta como um luva, para o antigo ministro das finanças. Já "Centeno" não fica bem em alguém que passa a vida a lidar com milhões. "Pinto Monteiro" ficaria melhor em alguém que se dedicasse a hortas e a debicar alpista, lá na terra. Ou, o Primeiro Ministro que "apunhalou" António Seguro à traição, chamar-se precisamente "Costa". Por falar em "António Seguro", esse nome assentaria melhor em alguém com poucas hesitações. Ou "Manuel Alegre" com aquele contraditório mau feitio. Já por outro lado, "Diogo Feio" é um daqueles nomes que faz parecer que os pais tinham dons de profecia.

 

Depois há também aqueles nomes engraçados que já os nossos pais diziam, como "Passos Dias Aguiar" para um motorista de taxis; "Pinto Ramos de Oliveira" para um pintor de exteriores; "Rolando Caio da Rocha" para um alpinista; "Domingos Dias Santos" para um padre.

 

"Henrique - Cimentos" é uma empresa de bom augúrio e prosperidade, de certeza. "Lúcio Bacalhau Robalo" a gerir um viveiro de trutas é engraçado. "Sabrina Botas" a trabalhar numa sapataria também faz rir. "Clara Branca das Neves" dá uma boa marca a vestidos de noiva. Assim como "Silva Pereira" ou "Castanheira Valverde" bons nomes de agricultor. "Davide Parreira" como agente vinícola. Olívia Oliveira como RP de um marca de azeite. "Ferreira Martelo" com uma bigorna à frente. "Pires Carneiro" numa cervejaria. "Judas da Cruz" numa sacristia. "Barros Faria" numa olaria. "Conceição (São) Bernardo" a trabalhar num canil.

"Parente Cunha" é óbvio, "Castro Torres" também. Mas "Machado Pinheiro" deixa algumas dúvidas. Já "Laranjeira Gomes" numa frutaria parece bem. "Raposo do Monte" e "Coelho do Prado" são bastante biológicos. Ainda mais, só um geólogo chamado "Pedro Rocha Penedo". Ou "Rosa Espinho da Silva". "Vanda Lisa" é um bom nome para uma sócia da Juve Leo. A sra. "Eva Lopes" ter uma papelaria é bestial e "Futre" a fazer anúncios a produtos que aumentam a libído, não lhe fica atrás (principalmente em França). E que dizer da "Fábrica de Chinelos Felipe F. Lopes"? Fica no ouvido ou não?...

Pág. 1/3

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D