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Small Church

Small Church

Serões de terça

Só para avisar que às terças à noite, mesmo para o fim da noite, está a passar na RTP 2 uma série, documentário, sobre a vida de Jack London. Vi meio episódio (tinha que me levantar cedo) e arrisco dizer que vale a pena. Se querem ficar recostados em frente ao écran sem sentirem o peso na consciência têm aqui uma boa oportunidade.

Jack London foi um dos escritores marcantes nos anos finais da minha adolescência. Sobretudos nos livros passados no cenário do "grande Norte" (acho que se pode traduzir assim) com as suas personagens esculpidas pelo rigor do clima e a severidade da natureza selvagem. Ficou sempre na minha lista de favoritos mas durante muito tempo não o voltei a ler. Até que no ano passado encontrei "A Febre do Ouro", "Smoke and Shorty" no original. Quando acabei o livro estava rendido. Jack London escrevia muito bem e, sem qualquer cedência à nostalgia, a sua presença na minha lista de favoritos está confirmadíssima.

Se puderam vejam a série. E leiam os livros. 

Espantado

"INEM foi chamado duas vezes por engano devido a obra de arte em Lisboa."

https://sol.sapo.pt/artigo/659343/inem-foi-chamado-duas-vezes-por-engano-devido-a-obra-de-arte-em-lisboa

O que me espanta não é se lhe chamam arte ou não. O que me espanta não são os comentários grosseiros vomitados de alias e thumbnails a corresponder servindo-se de impunidade. Nada disso. O que me espanta é que neste mundo que me enoja tantas vezes ainda hajam duas pessoas que se dêem ao trabalho de chamar o 112 para um desconhecido.

Buracos negros e votos brancos

Existem coisas no domínio da física que não consigo entender. Por exemplo, os buracos negros são mesmo difíceis, com o seu horizonte de eventos e gravidade tão forte que não deixa a luz escapar. 

A nível social também há fatores nos comportamentos alheios que por vezes me trazem perplexidade. Não me revejo no que muitos portugueses fazem. Estou certo de que será um sentimento comum a muitos.

O programa da Cristina, a joalharia relógio nos pulsos masculinos, o clubismo de ódio, a validade musical dos DAMA, a selfie, o espertalhão no trânsito a passar a fila por fora, o bailarico nos bombeiros, o Instagram usado por adultos, os cães tratados como filhos, as viagens como hobby, etc. Enfim, mais hesitante do que outra coisa, porque não devo julgar o que não entendo e não faz mal a ninguém, sigo, pelos meus dias, admirado. Se a maioria dos assuntos é perene (como é que funciona a mente de quem compra um BMW?), há alguns que são sazonais, como o modo como se fala dos incêndios de verão (“circunscrito”, “rescaldo”, “meios aéreos”). Dentro deste tipo, o voto em branco, que surge de dois em dois anos ou assim.

Quando ouvi falar sobre esse modo de participar em eleições, dediquei uns cinco minutos a pensar na opção e arrumei a questão de imediato. Sou convidado pelos outros cidadãos a escolher os governantes que teremos em comum. Há um número definido de opções e só tenho de assinalar aquela que prefiro entre as propostas. Não se trata de escolher a pessoa ideal, mas sim de escolher alguém, só isso, e ajudo a fazê-lo de bom grado.

Mas o que vai dentro da cabeça de quem vota em branco é um mistério. Sei que é alguém que se dá ao trabalho de se deslocar para votar em ninguém. Parece-me levar qualquer coisa para a cabine de voto, algo dentro de si que quer dizer qualquer coisa. Talvez ache que todos os políticos são imorais, mas, parece-me, que não se tratando de pedófilos, homicidas ou condenados por corrupção, talvez haja nesse julgamento um certo exagero. Ou será que sente uma vontade intrínseca de castigar, uma pulsão que se manifesta num assumir de papel de justiceiro? Ou talvez ache que o seu voto, por ser o seu voto, por ser o voto de uma pessoa tão especial, caraças, é o seu voto!, só pode ser dado a um candidato ou candidata de índole heroica que o mereça. Também poderá ser por motivos didáticos do género “com o meu voto em branco, graças ao meu voto em branco, sobretudo por causa do meu voto em branco anónimo, vocês («Vocês quem?» «Ora, os políticos, claro!» «Quais políticos? Todos?» «Sim. São todos iguais!» «Todos?» «Todos!» «As pessoas não são todas iguais, mesmo dentro de grupos.» «Mas estes são.» «Os políticos?» «Sim, essa corja é toda igual.») eles vão perceber que se andam a comportar mal e, repito, graças a mim, vão mudar o seu modo de estar e passar a fazer as coisas de um modo diferente, de um modo que eu gosto e sanciono.” Além de todas estas hipóteses, penso que deve haver também no votante em branco um prazer qualquer, umas borboletas na barriga, ou parecido, quando olha para o boletim, vota em ninguém e se sente um revolucionário. Talvez vote em branco por causa da adrenalina, não sei.

 

Seja qual for a razão, o votante em branco parece-me demasiado chateado e estar a levar-se demasiado a sério. No final de contas, os outros cidadãos só lhe estão a pedir para ajudar a escolher alguém, nada mais.

Ângulos Mortos

O Estado vê as igrejas como "associações contribuintes". As empresas vêem as igrejas como "nicho de mercado". As pessoas em geral vêem as igrejas como "caçadoras de dízimos".

Como tantos ângulos tão diferentes não admira que estejam todos errados.

O Futebol é uma coisa simples

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Bem-vindo, Craque

Ainda com acne, João Félix joga com a serenidade de um adulto. Ainda que menos esbelto e mais apaixonado, tem um ar de Kaká dos primeiros tempos e não só no aspeto. Gosta de pulular perto da área mas mesmo quando se afasta cheira o perigo. Para as assistências tem um golpe de vista e a suavidade dos 10 clássicos: para o golo, sentido de oportunidade e determinação, que é a confiança em ação. O seu repertório com a bola nos pés é variado e atrativo porque resolve tudo com a naturalidade própria dos craques e, como todo o craque, tem descaramento e brilha mais nas grandes ocasiões. As suas bolas filtradas são delicadas, as suas desmarcações são profundas, as suas aparições na área são fantasmagóricas e os seus remates são como machados. Cada machado, cada árvore; o mesmo que dizer: cada uma das suas aparições tem o valor de golo.

Jorge Valdano, in A Bola 25-05-2019

A Tripleta do Momento

Dizia-se em tempos em que, para se chegar a ter verdadeira realização pessoal, eram precisas três coisas: Escrever um livro; Ter um filho; Plantar uma árvore.

Mas as coisas mudaram. O que é preciso agora é: Ter um prefácio de Ricardo Araújo Pereira; Dar um abraço ao Presidente Marcelo; Fazer um dueto com Madonna.

Da Austrália, com calor

Nas eleições deste fim de semana na Austrália houve uma vitória surpresa dos conservadores. Todas as sondagens dos últimos três anos estavam, afinal, erradas.

Uma das razões principais apresentadas para os resultados foi a aposta dos Trabalhistas no combate às alterações climáticas. A maior carga fiscal necessária perdeu o braço de ferro com a promessa dos conservadores em baixar impostos e apostar ainda mais nas energias fósseis.

Os australianos tiveram mais receio das políticas climáticas do que do próprio aquecimento global, o que já tinha acontecido em França, com os Coletes Amarelos, cuja existência se deve a uma reação a maiores impostos para combater o Aquecimento Global, e vai acontecendo na Alemanha, com uma cada vez maior preponderância do assunto no panorama político.

A vida de cada um é mais importante do que qualquer abstração. Da ciência climática, acerca da qual ouvi hoje uma notícia acerca de um novo estudo dizendo que afinal o mar não subirá, como se dizia até agora, 1 mas 2 metros até 2100, tornando inabitável a terra agora ocupada por cerca de 140 milhões de pessoas, espero que esteja errada. Se não for esse o caso, e sem uma inovação tecnológica revolucionária nos próximos 5 anos, não haverá qualquer hipótese de sobrevivência para grande parte da humanidade. Em 2050 poderá mesmo estar extinta. Contemplar este cenário custa um bocado. Acho que é por isso que prefiro achar que todas as previsões não passam de erros formidáveis.

Sexo Junior

https://expresso.pt/Capas/2019-01-11-O-sexo-esta-fora-de-moda-na-Revista-E#gs.cfdo26

sexoJ.jpg

Segundo a Revista E, num artigo bem malhado, os adolescentes estão cada vez mais off para o sexo.

Não admira. E até pode ser mau sinal. Colhemos o que semeamos. Se eu tivesse 14, 15 anos, e tivesse duas casas, duas mães e dois pais; Se fosse educado por gadgets; se o Estado do meu país me doutrinasse que afinal eu não sei bem se sou menino ou menina... desconfio que teria a mesma dificuldade ou bem pior.

Para este e para muitos outros assuntos, ser adolescente nunca foi tão difícil.

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