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Small Church

Small Church

A próxima revolução vai ser a maior

Vivemos tempos espantosos. Todos estes factos são inevitáveis.

Vamos imaginar que dentro de um ano a cura para o cancro não só está disponível, como custa bem menos do que os tratamentos atuais. Agora, demos um passo até daqui a uma década, altura em que o envelhecimento, considerado como uma doença, já tem tratamento e qualquer um pode optar por viver centenas de anos. Juntemos então a evolução tecnológica, com a Inteligência Artificial e a robótica já em plena expansão por todas as áreas da sociedade.

As questões morais e civilizacionais são gigantescas. Os comportamentos e reações sociais a tudo isto são imprevisíveis.

Para mim, só peço mais duas décadas. Só mais vinte anos para assistir e participar na maior mudança da História da Humanidade. 

Sala de espera - I

Notava-se que havia sido um homem grande. Bem entrado nos oitenta, oitenta e muitos, a sua altura ainda era acima da média. Mãos grandes, cabeça grande, peito largo. Não era difícil imaginá-lo com trinta anos: direito, atlético, metro e noventa bem medido, passando altivo entre os vizinhos na aldeia, todos, no mínimo, um palmo mais abaixo. Agora estava curvado, andava devagar e apoiado numa canadiana. O cinquentão que o acompanhava brincou com ele em voz alta:

- Este homem andava com barris de mais de cinquenta quilos às costas, parava à conversa com os barris às costas, e agora não pode com um copo de vinho!

- É uma tristeza, uma tristeza… - concedia o velho. O desapontamento era verdadeiro, notava-se no olhar e na voz. Desapontamento de quem já sentira poderoso, forte, o mais forte, e agora precisava de ajuda para uma simples ida ao médico e ainda tinha que ouvir aquelas bocas e calar.

 Um Sansão, pensei eu. Um Sansão a quem o tempo tinha cortado o cabelo.  

História Geral e Melancólica de Fevereiro

Desde pequeno, talvez desde a pré-adolescência, que fico abatido e triste durante janeiro e fevereiro. Espero com impaciência por março, mês em que o ânimo volta ao estado normal. Mas é preciso ter cuidado com março. Se era durante os dois primeiros meses que os pensamentos suicidas apareciam, por vezes com uma força estranha que hoje tanto me espanta, o terceiro tem-me trazido uma euforia reformista que eu só consigo comparar a uma rolha de espumante a sair desvairada depois de uma daquelas pessoas a que se costuma chamar a alma da festa a libertar após ter a melhor notícia do mundo. Todas as grandes alterações na minha vida nasceram nesse período e nem sempre foram as mais fixes. Pelo contrário, trouxeram muita dor e preocupação imerecidas aos outros, e muito remorso e culpa para eu colocar naquela mochila que não é possível pousar.

Nos últimos anos tenho sido competente a lidar com essa tristeza profunda de quem perdeu todos os que ama e com essa euforia de quem foi salvo in extremis de morte certa. Quase ninguém se apercebe que aquele tipo sorridente e cordial com quem convive está, na verdade, a fazer magia do tipo ótico e não passa de uma lesma triste e melancólica (haverá alguma imagem mais precisa do que esta em tudo o que já escrevi até hoje?) que se arrasta à sua frente, suspirando pensamentos tão tristes quanto involuntários, embora tentando sempre ser puxada para cima, para um sorriso ou uma gargalhada. Talvez mais evidentes, as resoluções de mudança precoces têm sido aplacadas com bom senso e também com magia, desta vez não minha, mas uma aplicada por três ou quatro pessoas a quem sei que tenho de escutar mais do que a mim mesmo.

Por estes dias, triste sem opção, olho para mim mesmo com um misto de curiosidade e impaciência. Olho para essa melancolia, cada vez mais bem definida, cada vez mais ineficaz para além de um suspiro ou incapacidade de procurar alegria no momento.

Observo-me de fora e tenho pena de ter percebido tão tarde. Mas, enfim, é melhor saber do que não saber. É melhor saber resistir do que fingir que não existe, mesmo que fevereiro nem sequer tenha ainda começado.

Abusando da Ciência

Historicamente o homem sempre tentou encontrar explicações para o mundo. A procura de explicações é sempre algo positivo, pois revela sentido de descoberta, de risco, e espaço para a fé e a crença trabalharem. Esta procura acaba por ser um espaço de diálogo entre Homem e Deus, em que Deus desafia o Homem a arriscar e sair da sua zona de conforto, e procurar respostas que só Deus tem para dar.

No entanto, historicamente também são muitos os exemplos em que a demanda e aventura de procura de respostas são substituídas por uma necessidade de segurança do Homem, e assim de controlo de tudo o que existe. É uma luta antiga: está o homem pronto a reconhecer as suas limitações e abdicar da ilusão de controlo da sua vida? Está pronto a reconhecer que só Deus tem as respostas, e que precisa da ajuda de Deus para ir entendendo as respostas?

Os ídolos que criamos nas nossas vidas, e ocupam um lugar que deveria ser de Deus, são criados com este propósito duplo: de nos dar uma ilusão de controlo, e não nos obrigar a enfrentar a nossa condição de criaturas limitadas e imperfeitas.

A Ciência é o exemplo de uma coisa boa, que pode ser (e tem sido) transformada num ídolo, pervertendo as próprias regras do método científico, o seu propósito e o seu espírito. A apropriação do método científico como ideologia, como no caso do Positivismo relatado na artigo de Nuno Crato, em vez de uma procura da verdade acaba por promover um estabelecimento da verdade já pré-definida. Pré-estabelece-se um deus que se adequa aos nossos interesses, cujos comportamentos podem ser previstos e, assim, controlados.

Observamos hoje em dia isto em várias dimensões no nosso mundo. Um exemplo é o domínio da Política Ambiental, em que conceitos como ‘consenso’, que simboliza exatamente o oposto do espírito científico de arriscar o ‘establishment’, são aberta e publicamente associados ao científico. Com o objetivo de legitimar visões do mundo mais preocupadas com a ideia de controlo do Homem.

Biblicamente somos ensinados que a Sabedoria dos homens é ilusória (1 Coríntios 3:9), que a tentativa de controlo de tudo é vã (livro de Eclesiastes), e que a própria vivência do cristão e sua santificação, em semelhança ao método científico, é um processo de constante teste e evitar da conformidade (Romanos 12:2).

Deste modo é interessante observar que o método científico e a procura de Deus, não são concorrentes, mas antes cooperantes. E quando nos quiserem fazer crer o contrário, então é altura de nos questionarmos a que deus convém que pensemos assim?

A Lua foi uma colónia Nazi - Avistamentos

Nota: o meu interesse no fenómeno Ovni e na existência de extraterrestres tem a ver com a minha curiosidade pelo comportamento humano e pela sua incrível capacidade em acreditar no que o bom senso considera inacreditável. Eu não acredito em ovnis e em extraterrestres. O título da série tem a ver com uma das mais espetaculares especulações da comunidade da ufologia segundo a qual os nazis teriam capacidades técnicas para voos interestelares e que após a sua derrota na 2ª Guerra Mundial teriam construído colónias na Lua, em Marte e na Antártida.

 

Este é um belo exemplo de uma parte muito importante do fenómeno ovni: os chamados avistamentos.

 

A web aumentou exponencialmente o interesse à volta dos assuntos relacionados com extraterrestres e ovnis. Se até há 20 anos atrás só existiam livros e o Jornal do Incrível para tratar o assunto, atualmente existem centenas de canais e sítios totalmente dedicados ao tema onde são descarregadas, diariamente, dezenas de novas imagens de supostos avistamentos de ovnis. Este tipo de vídeos vai da mais elementar e tosca tentativa de enganar a elaboradas utilizações com imagens geradas por computador (CGI). De luzes no céu a gigantescas naves espaciais caça clique a pairar sobre cidades, são muito poucos os casos que permitam uma dúvida razoável. Isto porque a própria comunidade se encarrega de apresentar, analisar e desconstruir montagens ou explicar o aparente avistamento com tentativas de enganar o pessoal, com fenómenos naturais ou de origem em atividades humana.

 

As imagens que não podem ser explicadas são quase inexistentes, daí que valha a pena referir uma filmagem divulgada há quinze dias e que é considerada a melhor de sempre, uma vez que a sua veracidade, isto é, a ausência de montagem, já foi comprovada por dezenas de analistas e especialistas em vídeo. Ou melhor, ainda ninguém conseguiu demonstrar que é uma montagem.

 

A filmagem é de 2016, mas só agora foi tornada pública. Segundo o autor, o ovni foi filmado inadvertidamente por um drone no contexto da realização de um documentário. O primeiro vídeo contém a filmagem e o segundo uma análise técnica.

 

Viagens a Maceira - I

Por uma estrada que leva a um lugar do passado, vão duas gerações: o pai já atingiu o meio século de vida, o filho já gastou quase toda a sua fúria adolescente e começa a mostrar a sua pessoa definitiva. Apesar das muitas coisas que fazem em conjunto, ambos começam a sentir-se estranhos na presença um do outro, um afasta-se para dar espaço, o outro isola-se para criar o seu espaço.

O rádio do carro está ligado, mas vive-se como se tudo estivesse em silêncio, e vai-se mudando entre estações de rádio e ficheiros mp3, sem procurar nada em especial. Até que surge uma música que os acorda. É do final anos setenta, o teledisco oficial mostra uns tipos barbudos de longos cabelos até aos ombros, nenhum dos dois tem algo a haver com essa estética, mas a letra e a melodia são universais: Logical Song dos Supertramp.

Se ambos já iam calados, ficaram ainda mais imóveis, concentrados em absorver a magia que invadiu o ambiente.

O pai recordou a sua juventude, lembrou-se de ter visto o teledisco na televisão, talvez ainda a preto e branco. Depois sentiu uma nostalgia enorme pelo que ele era nesse tempo, por todo o otimismo e esperança que ele carregava nesses anos. Depois sentiu uma enorme alegria por estar ali o seu filho.

O filho ninguém sabe o que pensou, talvez um dia saibamos no decorrer de um jantar de família.

Mas pela minha experiência, sei, que quando um adolescente ouve mais do que 10 segundos de uma música, alguma coisa o tocou, alguma coisa extraordinária está a acontecer.

Ninguém mexeu mais no rádio. Aquela música foi deixada ir até ao fim.

E o momento ficou para a posteridade.

No resto do dia ouve outros momentos inesperados: um adolescente a varrer voluntariamente e de boa vontade um pátio cheio de folhas e ervas secas ...  só possível pelas forças do bem ali presentes; um adolescente a fazer considerações inesperadamente favoráveis sobre uma casa de aldeia, pequena, fria e com 70 anos ...  só possível pelas forças do bem ali presentes.

As duas gerações voltaram a estar juntas, cooperando conseguiram ter sucesso na tarefa que as tinha levado até ali.

E o dia ficou para a posteridade.

The Players Tribune

O The Players Tribune é um site que acompanho faz algum tempo. Como o nome indica, dá voz e espaço aos atletas. São os atletas que escrevem os artigos, e definem o tema e como é apresentado. Falam sobre muitas dimensões da sua vivência, e é interessante acompanhar algumas das reflexões deste homens e mulheres sobre histórias reais da competição/competidor, em comparação com as histórias ficcionadas que várias vezes temos nos meios de comunicação.

Hoje, João Félix participa. Não coloco aqui por ser jogador do Benfica, mas por ser um jovem atleta português, de uma realidade que nos é mais próxima, e deste modo podermos identificar melhor com o que ele escreve.

A explicação

António Costa fala em “constipação e risco de pneumonia”, os comentadores de serviço avisam para o “provável arrefecimento”, gente mais independente confirma que “isto está por arames”. É oficial: a festa acabou (ou, por que estamos em ano eleitoral, a festa vai acabar).

Próximo acto será arranjar as desculpas. E algumas já começam a rodar por aí. O Brexit, o Trump, porque é o Trump e porque anda a destabilizar a economia mundial, a indefinição politica na Alemanha, os “populismos” na Itália e na Hungria, o Bolsonaro, que é amigo do Trump, a França de Macron, que não resultou, como se esperava, como “motor do ressurgimento europeu”, o capitalismo bolsista, que está sempre à mão para estas situações, e outros figurantes de costas largas habitualmente chamados ao palco em momentos de aperto.

É uma boa altura para lembrar as palavras de Passos Coelho logo no início da geringonça. Dizia ele que este governo não poderia ser bem sucedido porque, manietado pelo Bloco e pelo PCP (e parte do PS, digo eu), não conseguiria fazer as reformas necessárias para tornar o país mais forte e mais resistentes aos altos e baixos (normais) da economia mundial. Estava certo. E esta é a principal explicação para a festa que vai acabar.

(Para quem ache que estou a ser demasiado simplista proponho a história dos três porquinhos. Se Costa construísse a casa com tijolo, o sopro não a deitaria abaixo. Mas ele construiu-a com palha, e palha qb, que a orçamento não estica e festa estava prometida).

Do Bairro da Jamaica à Bela Vista, com cuidado

Acho absurda a condenação feita pelo PSD a Mortágua. Populismo é isso também. Todavia a sequência de acontecimentos não é só esclarecedora, mas também razão de um alerta sério e responsável.

Ainda no próprio dia, e após ouvir Joana Mortágua a falar à Antena 1 acerca do episódio, pensei que teria sido tão bom se ela não tivesse dito o que disse. É que na mesma semana, Catarina Martins e Marisa Matias esclareceram em entrevistas que o Bloco não é extrema-esquerda nem populista. É lícito que elas achem isso, afinal as pessoas são livres de pensar o que quiserem, mas fica difícil para mim aceitar com Mortágua, uma deputada, a emitir julgamentos antes ainda da investigação interna da PSP ter começado. Se a isto se juntar a declaração do SOS Racismo, num primeiro momento, e de um seu dirigente, e assessor do Bloco, depois, chegamos à conclusão de que alguém devia avisar as pobres almas Marisa e Catarina de que há grandes probabilidades de estarem enganadas.

Não faço ligação entre as declarações e os apedrejamentos na avenida da Liberdade, com os carros incendiados em Odivelas e Póvoa da Sto Adrião ou da esquadra que foi atacada. Mas faço-o entre as reações mesmo muito violentas nas caixas de comentários contra os negros. E é aí que reside a irresponsabilidade de Joana e do presidente do SOS Racismo, porque só pode querer dizer que, ou são só palermas que ainda não perceberam em que mundo mediático vivem, ou são perversos que, à custa de idiotas úteis prontos para a violência, procuram capitalizar estatuto. Prefiro acreditar que são só tontos que não sabem o que fazem. Seja o que for, uma coisa é certa: estão de tal modo embrenhados numa cosmovisão de luta e confronto que não parecem fazer ideia de quem são os portugueses. Acho que deviam estar alerta e reconhecer a força do fel e ressentimento que corre, subterrâneo, nas caixas de comentários, posts e nos cafés. Falta de ponderação e condenações sumárias é combustível para a máquina de extremismo que já se começou a mover.

Extrema-esquerda ou direita, a função de cada uma é alimentar a sua Nemesis. Aprendam isso de uma vez. Dava mesmo um jeito do caraças a todos.

O canário canta e eu oiço-te

Senta-se à mesa comigo. As netas brincam a uns metros e o canário vai cantando a manhã solarenga de sábado. Ela tem dores, vejo-o (conheço-a) mas não o diz, mesmo quando lhe pergunto pelas pernas e dá a resposta habitual alicerçada na verdade e na vontade de não dar importância às suas maleitas.

Observo o seu cabelo branco. Oiço a sua voz um pouco mais fraca. A minha mãe é graciosa na vontade que demonstra em me ouvir. A minha suave mãe, de pele mais rugosa, de mais dificuldade em ouvir, de quase 80 anos, de brincadeiras com as netas pequenas que a amam tanto, a minha mãe de voz que me acalma e cujo abraço procuro sem pudor quando nos encontramos ou despedimos, conta-me histórias do que lhe vai acontecendo, de gente que gosta dela que aparece, telefona ou comenta no seu blogue, e sei que não tenho nem metade da vida que ela tem, de amigos que ela tem, de conhecidos, de peripécias vividas apesar de já quase não sair de casa. 

Cresci à sombra de gigantes (pais, irmãos e melhores amigos) e percebo, como o menos forte, como o menos capaz, que essa proteção e paciência dos melhores foi a grande dádiva da minha vida. E a minha mãe, de quem sou tão diferente, está à cabeça dos que me trouxeram até aqui são e salvo. Tudo isto é difícil de explicar e de dizer para um homem maduro, mas é-o menos porque é dela que falo. 

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