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Small Church

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O que importa dizer sobre o clima

A Climatologia é um bom exemplo de um assunto que gera desconfiança em alguns, talvez muitos, devido ao modo como é tratado na imprensa. Como já disse anteriormente, não tenho opinião formada sobre a matéria, embora esteja a torcer para que os cientistas que trabalham para os relatórios da ONU estejam errados.

Neste balanço ambiental de 2018 é referido o dia mais quente do século e agosto como o mês com temperaturas mais altas desde que há registo. Não se refere, vá-se lá saber porquê, e é por causa destas coisas que as agendas corporativas inspiram muitas teorias da conspiração, que março foi, em termos absolutos, o mês mais frio deste século e que o julho de 2018 foi o julho mais frio dos últimos 18 anos, sendo preciso recuar 30 anos para encontrar um com temperatura máxima mais baixa. Entretanto, novembro teve temperaturas ligeiramente mais baixas do que o normal, mas isso também não parece ser razão para notícia.

 

 

Ainda coisas que fazem espécie

Passo de relance os olhos pelo televisor ligado e com o som baixo e leio o título em rodapé. Surpresa. O movimento de passagem volta para trás, tento confirmar o que tinha lido, mas a legenda já desapareceu. Pego no comando, recuo uns segundos e lá está. O nome do babado dono do cãozinho a quem se dirige a app que motiva a reportagem televisiva, o nome do senhor e à frente “tutor de animal”. Em vez de “dono”, ou “dono do Bolinhas”, ou qual seja o nome do cão, em vez disso “tutor de animal”. Sim, tinha lido bem. Sim, e o que li é confirmadamente parvo. Entre humanos, tutor é quele que acompanha a criança ou o jovem até à maioridade. Na jardinagem, tutor é a estaca ou vara que serve de guia para o tronco da planta crescer direito. Para os animais o termo é dono. Não são dois seres humanos que estão ao mesmo nível, um ajudando o outro; não se busca autonomia porque é impossível ela ser alcançada pelo animal no contexto doméstico; não se trata, certamente, do ponto de apoio para um tronco em crescimento. É um humano que é proprietário de um animal. Dono, portanto.  Para quê complicar o que é simples?

Terapêutica coronária para o desconsolo

É fácil ser preciso acerca de quando se perde um comboio. Subimos a escada a correr e entramos na plataforma quando as portas se estão a fechar, ou então olhamos para o relógio e sabemos, ainda longe e  cientes do horário, que não vamos conseguir estar lá a tempo. Já a evidência acerca momento em que se deixou de poder aceder a algo como uma carreira profissional pode ser mais misterioso. Terá sido naquele ano escolar em que se chumbou ou antes a recusa de um convite daquela pessoa naquele dia de chuva? Poderão ter sido aquelas palavras de um irmão que nos fizeram acreditar que não tínhamos o que era necessário para vingar ou poderá ter sido o silêncio afiado de um pai incapaz de nos explicar ao que se poderia aspirar? O que fica é que muito de nós perdem o rasto à magia de acreditar que é possível mais da vida e que isso, muitas vezes, acontece ainda na infância.

Penso nisto enquanto oiço Tears For Fears e me lembro de como a música foi sobrenatural durante a minha adolescência. Ao meu lado está um livro de banda desenhada do suíço Cosey e também ele me sussurra memórias de entusiasmo, ondas antigas e agora fósseis, de tardes silenciosas e sonhadoras.

Tudo vai passando e o pregador, em Eclesiastes, continua a gritar um alerta universal que devemos gozar a nossa juventude antes que venham os maus dias em que diremos que não somos felizes.

Passei parte da manhã a desenhar a princesa Aurora, mais conhecida como Bela Adormecida. Enquanto o fazia, a pequena de 5 anos concetualizava uma versão bastante livre e colorida de uma outra princesa chamada Rapunzel. A de 8 anos fazia os trabalhos de casa escolares na mesma mesa que nós.

Preferia estar a fazer outras coisas. Os meus 45 anos não acham interessantes as propostas de brincadeira das minhas filhas. Mas a verdade é que é bom estar perto de crianças a quem ainda não foi sonegado o acreditar. Faz bem ao coração a esperança de que elas venham a conseguir viver do que um dia sonharam.

 

 

Coisas que me fazem espécie, mas que nem são assim tão importantes

É interessante observar o impacto que a linguagem e as palavras têm na definição do que entendemos ser real, do que entendemos ser importante. A percepção deste poder que as palavras e os seus significados têm sobre nós, deveria levar-nos a reflectir sobre os confrontos de poder pelo domínio das palavras.

Nesta luta, grupos tentam projectar através da definição de palavras e conceitos o poder e representação que muitas vezes a força dos números não lhes confere no mundo real. O João já referiu aqui em alguns posts episódios desta luta. Grupos como Bloco de Esquerda ou PAN na arena política, e outros grupos na arena mediática e outras, tentam e fazem isto. Hoje os meios para o fazer são relativamente baratos (redes sociais), e os encargos são reduzidos uma vez que muitos dos agentes promotores são financiados pelos seus próprios empregadores (jornaleiros, comentadores, afins).

Por esta altura já estarão a dizer, «Mas do que é que este gajo está a falar? Sempre foi assim». E é verdade, sempre foi e será assim. Um dos palcos por excelência da luta de poder é o palco das palavras e do seu significado. Quem controlar as palavras que podem ser ditas, e o que elas podem significar, está num lugar de decisão, e portanto de vantagem.

Perante o carácter eterno e omnipresente desta luta, então que resta fazer se não a resignação? Faz sentido almejar que tal luta de poder deixe de existir, e portanto resta-nos aceitar a nossa submissão?

O que temos a fazer é, percebendo que há agentes em luta, quais são as motivações desses agentes. Porque é que num dado momento uma palavra aparece, sendo usada em rede por várias pessoas? A quem pode interessar introduzir esta palavra? E quando se apropriam da palavra e lhe dão um significado diferente daquele que já nos é familiar? Que motivações norteiam estas acções?

Quando reflectimos sobre as motivações e os usos, estamos a exercer a nossa crítica política. E quando fazemos esta crítica política tomamos decisões. E ao tomar as decisões, tornamo-nos agentes desta luta.

Concentrado de contradições

Até arrepia tanto disparate

https://expresso.pt/revista-de-imprensa/2018-12-24-Jose-Manuel-Pureza-a-eutanasia-sera-um-dos-compromissos-para-as-legislativas-em-2019#gs.zO6UlzA

Para além desta pérola de auto-justificação de qualquer acto individual: "Diante das histórias concretas, todo o tipo de rigidez de princípios se desvanecia com muita facilidade."; alguém devia explicar-lhe que Jesus Cristo foi condenado por se ter intitulado Rei, entre os Judeus, e Filho de Deus, e que não era um revolucionário pois não vinha mudar nada (Mateus 5. 17).

 

O mês lendário

Já tinham passado alguns meses desde que o rei louco fora atirado para as masmorras. Do alto da janela dos seus aposentos, o novo rei, que representava uma nova linhagem, olhou para o povo que reconstruia as muralhas e tentou medi-lo. O chefe da guarda tinha-lhe dito nessa manhã que os súbditos estavam desmoralizados. Dos reinos vizinhos chegavam ecos de zombaria. Nos céus, bem lá no alto, pairavam dragões esperando para atacar ao primeiro sinal de fraqueza.
O rei voltou para dentro e sentou-se na cama, desalentado. O ministro não conseguira ainda os resultados pretendidos. Não havia fome, era certo, mas era óbvio que a prosperidade não chegaria tão cedo se ele continuasse a tratar dos negócios do reino. Felizmente, não tinha sido ele o responsável pela sua nomeação. Isso dava-lhe alguma margem para tentar outra coisa. O rei precisava de ser audaz e arriscar um novo ministro com ideias capazes de entusiasmar. Alguém de fora e capaz de trazer alegria e esperança ao povo. Antes arriscar a derrota que permanecer assim. Os seus súbditos tinham deposto o rei louco com coragem e mereciam mais do que dragões a espreitar a desgraça e o gozo dos outros reinos.

 

Ser-se do Sporting, por estes dias, deve ser espetacular.

Distrações da malta da luta das alterações climáticas

Ponto prévio: toda a minha vida me esforcei por poupar a natureza e os seus recursos, não acordei para isso com o Al Gore.

Para o bem do Planeta fomos incentivados a trocar as lampâdas de iluminação nas nossas casas por equipamentos mais eficientes, que consomem menos energia. Por acaso esses novos equipamentos até eram mais caros, por acaso até eram nova uma tecnologia que precisava de escoar a recente produção das novas fábricas, por acaso a margem de lucro até era maior por necessidade de amortizar o dinheiro gasto no desenvolvimento da tecnologia.

Entretanto criámos um hábito que anulou completamente todos esse ganhos de poupança de eletricidade, e ainda não vi ninguém preocupar-se com isso.

Chamam-lhe "nuvem", mas a descrição real é: alojamento remoto de dados.

Se todos os dados fossem guardados localmente, quando nós quiséssemos ver as fotografias das últimas férias, só gastávamos energia quando ligássemos o nosso dispositivo de visualização (computador, tablet, smartphone, smart TV, etc). Depois de ver o que queríamos desligávamos o dispositivo e o consumo de energia passava a 0 (zero).

Com a "nuvem" não. Quando guardamos os nossos dados num sítio remoto, eles comprometem-se a tê-los disponíveis 24 horas por dia, nunca desligam. O consumo de energia é permanente. E para além disso eu não poupo nada pois tenho na mesma de ligar o meu dispositivo para os consultar.

Parece um gasto de energia supérfluo.

Mas não vejo ninguém falar disto, porque será?

Dilemas habituais e livro em avaliação em editora

O meu mais recente manuscrito de ficção está a ser avaliado numa editora de que gosto muito. Pode ser que seja a primeira de uma dezena de recusas, mas pode ser aceite, o que me faria ficar muito satisfeito.
Há mais de uma década que ando à volta com histórias. Foi bom ver os dois primeiros romances publicados mas foi mau perceber que a minha ficção não entusiasma muita gente. É que uma das mais fortes características invisíveis da minha educação (da nossa, não é assim?) está presa ao utilitarismo do que faço. Nem pensar em publicar só por vaidade. É preciso que aquilo que publico seja considerado bom e útil. E este tem sido o grande dilema do último ano. Para quê continuar a escrever se tão poucos me leem?
Há uns tempos, numa iniciativa na Bertrand do Chiado em que participei com o Rodrigo Magalhães e com o Nuno Costa Santos, dei por mim a dizer que escrevia porque, simplesmente, gosto de o fazer. É tão simples como isso, o que não é pacífico para mim, porque a tal visão utilitarista me acusa de falta de virtude nos meus motivos e há momentos em que digo que se é só para mim, não vale a pena o esforço.
Penso nisto enquanto releio a ficção que comecei há uns dias e que tanto prazer me tem dado a escrever.

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