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Small Church

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Treta Ghunberg - A Menina Invisível

Quis o Destino que houvesse em África uma menina de nome "Treta Ghunberg", tão bizarramente parecido com o nome de uma famosa menina europeia. Também quis o Destino, esse chocalhador de cartas da sorte, que essa menina nascesse de pai e mãe biológicos, mas toda a família e ela própria de pele escura. Foi ainda esse grande filho da mãe do Destino que ditou que fosse pobre como o raio, orfã de pai, e de mãe desaparecida em gritos no meio de tiros, ou raptada por mercenários a soldo de uma religião fundamentalista qualquer.

Se Treta Ghunberg fosse branquinha, loirinha, olhinho azul e tivesse a oportunidade e os amigos certos, talvez aparecesse em frente às escadarias dos palácios dos governos do seu continente, para lhes esfregar nas trombas a corrupção e o sem-vergonhismo sem escrúpulos em que andam. Possivelmente mencionaria que andam vendendo aos pedacinhos os seus próprios países a loiros, morenos e assim-assim de olhos-em-bico de outras paragens, a fim de fazer jorrar dólares nos seus bolsos particulares sem fundo. Embora disso pouco se fale.

Mas não. Treta Ghunberg é preta, tem calos nas palmas dos pés, tem ranho seco por cima da boca emoldurada de moscas e usa o mesmo vestido esburacado há dois anos, o mesmo tempo que está sem tomar um banho com sabão. E tem muita sorte.

Ou então tem azar. Treta Ghunberg não sabe ler, não sabe o que é um smartphone, de que peças poluentes são feitos, e jamais lhe passou pela cabeça poluir o seu "Planeta A" com queima de derivados de petróleo. A menina que não tem roupa que a abrigue das noites frias, nem barco cintilante que a navegue para outros sítios, pagantes a peso de ouro, onde a queiram ouvir. O máximo de plástico que alguma vez teve, muito tempo atrás, foi um pequeno alguidar em que lavava as canecas dos irmãos mais pequenos com algo a que dificilmente chamaríamos "água".

Se tivesse oportunidade de estar in vogue, de se auto-fabricar ideologia, Treta Ghunberg gritaria ao mundo todo que estava desolada porque, para darem atenção a uma história recente de paródias egoístas de partidos doutrinantes da moda, passaram a ter ouvidos moucos para ouvir uma outra ainda pior que se conta há décadas. Ou milénios. Se essa porta antiga que faz chacota da humanidade e nos devia encher a todos de vergonha nunca foi fechada, e pelo contrário, continua negligentemente escancarada, porque razão estarão tão ávidos de abrir uma nova?

Ao redor do mundo, berraria ela até não ter mais lágrimas ou pulmões pelos irmõs que perdeu, que todos os dias morrem sete mil crianças recém nascidas. E disto, de eleições à porta e eco-bandeiras flamejantes, é que ninguém fala ou faz greves de fome.

Festa Rija

festaRija.jpg

Toy, Prólogo TT, Ana Arrebentinha, Missa e Procissão com Queen(!) e Rosinha com Garraiada...

Mas qual Super Bock Super Rock, qual NOS Alive... com um alinhamento destes ninguém consegue competir!

Obrigado, PAN!

O crescimento do PAN nestas legislativas parece certo. O facto parece-me um pouco desanimador, mas, bem vistas as coisas, trata-se só de votos. Se quiser ser sincero, não encontro nenhumas Eleições em que eu não tenha achado que os votos de muitos dos meus concidadãos não foram descuidados. Penso que a maioria deles deve pensar o mesmo. 

Por outro lado, se não quiser ser sincero e permitir-me deixar esta espécie de tremor que sinto no peito, no fundo esta irritação, galopar em palavras, tenho de dizer que as propostas do PAN são uma perigosa amálgama de vontades ditatoriais, moralistas e inimigas da liberdade individual e que só idiotas ou incautos poderão votar nesse partido de gente sem escrúpulos para com os seres humanos em geral.

Felizmente, não penso o mesmo que a minha irritação que, embora racional, não o é assim tanto quanto a perceção de que estas eleições parecem ser uma corrida a três (PAN, BE e PCP) para ver quem fica como bengala do PS no caso de este não ter uma maioria absoluta. Convenhamos que é um extra muito engraçado ver esta malta a cavalgar a onda ambiental anti-alterações climáticas. Imagino o teor da argumentação:

“Eu sou o que gosto mais dos bichinhos que as pessoas têm em casa e que as câmaras têm nos canis!“

“Eu, além de gostar muito dos bichinhos em geral, também tenho bué militantes na Quercus e na Zero!”

“Vocês não passam de oportunistas: nos temos os Verdes, os verdadeiros marxistas…eeh…quer dizer, ecologistas!”

Além disso, independentemente de qual for a bengala, terei uma fantástica oportunidade de me sentir regularmente ultrajado ao longo de 4 anos. E o que é que há de melhor, em termos de política, do que uma boa e velha sensação de ultraje de longa duração?  

Hermenêutica

Jesus diz,

E o segundo é este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que esses.

Marcos 12:31

Paulo diz,

Todavia, que cada um de vós, particularmente, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie a seu marido.

Efésios 5:33

 

 

A multiplicação dos passos

Estamos em 1955. Saiu cedo, muito mais cedo do que a sua família costuma acordar ao domingo. O seu destino dessa manhã ainda fica longe. Tem 18 anos. Decidiu aceitar o desafio de um amigo com quem costuma conversar sobre religião.

Enquanto caminha pelas ruas quase vazias, ignora que esses passos serão definitivos e mudarão a sua vida.

Estamos em 2019. A caminhada desse rapaz continua ainda, agora já com 82 anos. Repleta de recordações fortes de uma dependência intransigente de Deus, a sua vida mantém-se fixada no presente, na procura dos sinais divinos sobre como viver cada minuto que passa. Quem o conhece quase pode dizer que o futuro não é importante, que a promessa de uma Vida Eterna, embora bem vinda, é como que secundária. É que ele terá descoberto há muito que a sua Fé é para hoje e urgente. A sua Fé é um modo alegre de viver.

Vai rapaz, continua a caminhar! Sabes que nunca te irás deter? Os teus filhos e netos continuam, e irão continuar, esse teu percurso, essa porta fechada atrás de ti com cuidado para não acordar ninguém num longínquo domingo de há 64 anos em Matosinhos. Os teus passos de juventude foram multiplicados por muitos dias, por muitas pessoas e pela sua fé e esperança. Não o vês nos olhos brilhantes da tua neta, que te ouve com orgulho, antes de a mergulhares na água para ser batizada pelo avô?

Sala de estar - IV

- Isso na mão está mau…

- Pois está. E nem vai acreditar como aconteceu.

- Um corte com uma faca?

- Nada disso. Não consegue adivinhar… Fui a casa do meu filho preparar umas caracoletas que ele lá tinha. Estavam dentro de um saco de plástico, que estava muito apertado, e eu tentei desatar o saco mas não consegui. Voltei a tentar, puxei com mais força, a mão escorregou e bateu em cima das caracoletas. Quando reparei estava a sangrar do dedo, do anelar. Sangrou muito, nunca mais parava, mas lá consegui estancar o sangue. Ficaram as dores, que eram muitas. Aguentei uns dias assim. A mulher insistia que eu devia ir ao Centro de Saúde mas eu não queria ir. Só que as dores não passavam e eu lá vim. A enfermeira percebeu que o dedo não estava cem por cento, a ponta não mexia. Enviou-me à médica. Fiz exames. A casca da caracoleta tinha cortado o tendão. Agora estou a fazer uns tratamentos mas não é seguro que volte a ficar com o dedo como dantes.   

- Tudo por causa de uma caracoleta…

- Sim, ferido por um caracol. Parece incrível mas é verdade.

Roberto Leal

Bem sei que hoje e ontem toda a gente diz a mesma coisa. Mas não me interessa. Fico-me por ser só mais um.

E a verdade verdadinha é que eu nem sequer apreciava o género da sua música. Já a pessoa, quando o olhávamos nos olhos... era perfeitamente impossível não gostar dele.

RL.jpg

Aqui vai uma rara pérola.

Geringonça 2?

"Se o PS ficar de mãos livres corremos o risco de retrocesso", alerta Jerónimo Sousa.

Caro camarada Jerónimo: em retrocesso ficámos nós todos com as mãos livres da geringoça! Menores salários; carga de impostos como nunca; Maior endividamento externo da História, e tal e tal. - Para não falar nas perdas de valores e baixas de moralidades.

O futuro a ver vamos. Pela minha mão nem PS e muito menos geringonça.

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Sem cessar

“Tentar encontrar um lugar onde o ego não saiba o que fazer”.

Ouvi estas palavras como se descrevessem algo que eu nunca tivesse experimentado.

Fiquei a imaginar no que aconteceria durante esse silêncio. Sem a influência das minhas manhas e desculpas talvez ficasse a sós com a verdade. Ao mesmo tempo, deveria viver um sentido de pertença ao mundo inédito, porque o veria sem os meus preconceitos, sem as minhas fonteiras.

Senti alegria quando pensei isto. Estranhei a leve impressão de reconhecimento dessa emoção e percebi que a frase era acerca de falar com Deus e depois, um pouco depois, algum tempo a mais do que deveria depois, que era também acerca de viver com os outros. 

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