Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Small Church

Small Church

Qatar 2022

Estou fartinho de ouvir falar mal do Mundial no Qatar. E porque são as corrupções do Platini e do Blatter, e porque é Inverno, e porque morrem muitos operários, e porque não se respeitam os direitos de mulheres e minorias. Até o Presidente de portugal se "sente" na necessidade de desvalorizar e Gianni Infantino, presidente da FIFA , dá de barato, visto que já tem os olhos no "prémio".

Mas a única e grande questão que se coloca realmente é: Vai acompanhar ou vai boicotar? Tenho para mim que, se todos tivessem a firme convicção de não ver nada deste Mundial, nunca mais se colocariam estas questões.

Como diría Carlos Queiroz, e bem, "No momento em que a bola começar a rolar, ninguém quer saber..."

As eleições no Brasil

É mais o menos como reeleger Sócrates.”

Eis uma frase certeira entre o muito que se tem escrito e dito após a vitória de Lula da Silva nas presidenciais brasileiras. Certeira porque retrata a situação do Brasil hoje, dividido, ao meio, e com um fosso profundo entre as duas metades. Uma metade rejeita de tal forma as ideias e o modelo de sociedade proposto pelo atual Presidente que não se importa de ver no seu lugar alguém que há apenas três anos estava na prisão condenado por corrupção. A outra metade rejeita liminarmente o candidato eleito porque, precisamente, não pode conceber que na liderança do seu país esteja um homem condenado por corrupção. É nesta separação primordial, que depois catalisa outras divergências menores, que o Brasil vai viver nos próximos anos.

Lula da Silva bem pode falar em “compromisso”, “união”, “baixar as armas”. São, por certo, palavras que ficam bem na hora da vitória, mas que na sua boca não passam de meras palavras de circunstância. Precisamente porque quem as pronuncia não tem condições pessoais para as concretizar. Tal como  em Portugal não as teria Sócrates caso voltasse a ser primeiro-ministro…

O lado bom

É bonito. E, tenho de confessar, inesperado. No “negócio da bola” haver ainda espaço para a memória e para a gratidão merece referência - com uma pontinha de esperança. Bem Samaris e bem os adeptos.

Ainda as eleições na Suécia (II)

Não é preciso esperar por eleições para sentir o efeito “Suécia” que descrevi ontem. Nos meios de comunicação, por exemplo, ele já é visível. Como neste texto.   

O apelo à discussão franca, e organizada, do assunto “imigração” é uma concessão importante por parte do “sistema”. Bem nos lembramos, e, na verdade, ainda acontece, da impossibilidade de discutir tal assunto abertamente. Quem o quisesse fazer, porque, como em tudo o resto na vida democrática, as opiniões são várias e as decisões devem tê-las em conta, quem quisesse discutir imigração era imediatamente insultado com dois ou três rótulos que o colocavam fora da possibilidade de debate, e, dessa forma, o diálogo acabava ali porque os democratas não discutiam com xenófobos e quejandos. Agora que a censura preventiva parece não alcançar o efeito desejado, passa-se, então, ao apelo ao diálogo. E como os rótulos ficaram gastos de tanto uso, e tendem a tornar-se contraproducentes, acaba-se também com eles. Menos mal, dizemos nós, ainda que com plena consciência que esta disponibilidade para diálogo e para o fim do insulto é apenas um recuo tático. Porque a intenção permanece: impor a “verdade” do ”sistema”. Este parágrafo é esclarecedor: “Se queremos mudar como pensam, temos de conversar - com todos e muito em particular com eleitores que legitimam partidos com políticas que vão contra os valores democráticos e que custaram séculos de progresso social e humano. A melhor possibilidade que temos de não ver políticas fascistas é "ganhando" quem vota ou pode votar nelas para soluções democráticas - e é pouco provável que se consiga fazê-lo gritando a cada passo que são fascistas”. Ouvir o outro, aprender, encontrar soluções equilibradas, as virtudes que associamos ao diálogo, não interessam aqui. Seja como for, o “sistema” recua, e isso é bom.

Ainda as eleições na Suécia (I)

Tenho para mim que as eleições suecas do passado dia 11 constituem um acontecimento importante na História europeia contemporânea. Precisamente porque a viragem feita à direita (toda a direita, da moderada à extrema) acontece na Suécia. Não é na latina Itália, berço do fascismo de Mussolini, ou nas ex-comunistas Hungria e Polónia. Não é num país com historial recente pouco democrático. Acontece na Suécia, num nórdico, num espaço que para nós é sinónimo de tolerância, civilidade e democracia. E a questão é esta: se os suecos, que são o tal modelo de tolerância, civismo e democracia, tomam esta opção porque não segui-los, ou, pelo menos, porque não pôr em cima da mesa essa possibilidade? É isto que vai ser dito pelos parceiros ideológicos por toda a Europa e, não tenho dúvidas, vai legitimar na mente de muitos eleitores a escolha à direita como cabendo dentro do espectro democrático. Se os suecos votam assim porque não nós? Esta pergunta tem tudo para ter um peso relevante na balança política europeia.

Da desfaçatez

João Gomes Cravinho, ministro socialista, cujo partido, em 2015, depois de ter perdido as eleições para os sociais-democratas, chegou ao poder recorrendo à aliança com a extrema-esquerda, comentou publicamente a maioria de direita surgida nas eleições do  último domingo na Suécia. Para se aferir a dimensão da desfaçatez do ministro troque-se nas declarações a referência ao país e ao lado político vencedor - eu ajudo, entre parentesis. Fica assim:

 "A vitória nas eleições da Suécia [em Portugal] foi para o Partido Social Democrata, que foi por cerca de 10% o partido mais votado. Portanto, o primeiro comentário é para dar os parabéns ao Partido Social Democrata pela votação que teve. "

"Infelizmente, há uma maioria que inclui a extrema-direita [esquerda] e que possivelmente - vamos ver -, formará Governo. O nosso voto é que as políticas da extrema-direita [esquerda] não sejam relevantes no próximo Governo que vier a sair das eleições da Suécia [em Portugal]" .(aqui)

Das duas, uma: ou Cravinho reconhece, ainda que implicitamente, o erro da geringonça, de se ter trazido os extremistas para o poder, e parabeniza Pedro Passos Coelho; ou tem um descaramento do tamanho da Serra da Estrela. Sem ilusões, acho que é a segunda hipótese.

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D