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Small Church

Small Church

Da indignação fofinha em política

Não nos fiquemos pela constatação óbvia de que as mesmas pessoas que outrora representaram Ângela Merkel com um bigode nazi, agora lamentam o fim do seu mandato como o de uma grande e inigualável chefe de estado.
Vamos imaginar que dezenas de médicos de um hospital administrado pelo Estado se demitiam por falta de condições de trabalho. Depois, imaginemos que um outro desses hospitais do Estado, um que servisse cerca de meio milhão de utentes, por exemplo, encerrava as Urgências durante a noite por falta de pessoal. Em cima disto, coloquemos Passos Coelho como primeiro-ministro.
Se imagino tudo isto, já o ultraje e o rasgar das vestes generalizado nas redes sociais, e em manifestações “espontâneas” decorrentes, não consigo imaginar. A partir de um certo nível, a hipocrisia política é capaz de coisas espantosas, como é evidente pelo quase silêncio da esquerda com o que se está a passar. Juntando a isto a rábula anual do "assim como está não aprovamos orçamento" que termina sempre em aprovação, podemos concluir que vivemos um momento exemplar do que é hipocrisia política.

 

O estado da União Europeia - II

Os tiques ditatoriais da União Europeia, ao querer sobrepor-se à legítima soberania de cada estado membro, ficaram bem patentes na polémica em torno da denominada “lei anti-LGBT” aprovada pela Polónia e pela Hungria no verão passado. Num assunto que é de evidente sensibilidade e de difícil concertação, a Comissão Europeia tomou uma posição unilateral e recorreu à ameaça direta para forçar o seu lado. Ora, esta não é a forma de tratar estes assuntos em democracia. Porque, e é importante realçar este ponto, os direitos individuais dos homossexuais não foram postos em causa. Pelo que está escrito na lei, ninguém corre o risco de ser preso, ou sequer incomodado, pela sua opção sexual ou pela vivência dessa escolha na intimidade. O que está em causa é a vivência dessa opção em sociedade, no espaço público. E aí os direitos dos homossexuais pesam tanto como os direitos dos restantes cidadãos, nomeadamente os das crianças. As limitações que possam ser impostas a um dos lados decorrem dessa coexistência e das escolhas que tem de ser feitas quando não é possível satisfazer todas as pretensões.

Há uns anos, a Suiça teve de resolver uma situação de alguma forma similar. Não envolvia uma minoria sexual, mas uma minoria religiosa. Com o aumento da emigração, a comunidade muçulmana crescia e em muitas aldeias suíças construíram-se mesquitas para acolher os fiéis, mesquitas que incluíam os longilíneos minaretes, as torres de onde é feita a chamada à oração. Acontece que essas torres rivalizavam em altura e em destaque com os campanários das igrejas locais, o que, na cabeça de muitos suiços, começou a ser visto como uma ameaça a uma das imagens de marca do país: o casario incrustado na montanha e, no meio, dominando tudo, a torre com o sino. A situação não tinha solução fácil. Por um lado, os muçulmanos tinham direito à livre expressão da sua religiosidade; por outro lado, aos suiços era lícito preservarem um símbolo que consideravam importante. Não havendo soluções fáceis, e não abrindo nenhuma das partes mão das suas pretensões, a decisão foi encontrada num dos frequentes referendos helvéticos, através do voto da maioria. Os minaretes foram proibidos. Os muçulmanos mantiveram intactos os seus direitos religiosos, ainda que a expressão publica da fé tivesse que ser parcialmente atenuada; os suiços garantiram o bilhete postal que é importante para a sua identidade.

Os eurocratas de Bruxelas deviam aprender com os vizinhos suiços. Democracia é tentar o acordo e o compromisso, e quando isso não é possível, sujeitar-se à decisão da maioria, neste caso, à decisão soberana dos estados-membros. Posições unilaterais e a tentativa de forçar decisões tendo em conta apenas uma das partes são tiques totalitários absolutamente dispensáveis.

Estoril Classics 2021

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Estoril Classics 2021 é um evento importante e dá sempre direito a fotos interessantes. Porém, pode ser o canto do cisne de um evento de luxo para o povo. Com um preço de paddock cada vez mais galopantemente alto e um acesso cada vez mais galopantemente baixo e curto - literalmente baixo, já que agora só os VIPs sobem ao primeiro andar; e curto, já que não posso ir até ao fim das boxes - esta foi a última vez que me apanharam por lá.

Resta-me, tal como quando era desempregado, espreitar através das redes (e não me refiro às sociais), ir à curva 1, à "curva da orelha", do café-clube nos ésses e antes da parabólica. Não pagarei, não me poderei queixar. O povo é assim: se o faisão é azedo, acaba sempre por ser feliz com pato.

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O estado da União Europeia - I

O Tribunal Constitucional da Polónia decidiu que, quando houver conflito legal entre a lei da União Europeia e a lei polaca, é a segunda que prevalece. A decisão foi recebida com choque em Bruxelas - e a palavra “Polexit” surgiu de novo na imprensa.”

O parágrafo encima um texto do Expresso sobre o mais recente episódio das difíceis relações entre os decisores da U.E. e os estados “problemáticos” do centro da Europa (sobretudo Polónia e Hungria). Chamou-me a atenção a expressão “choque”, à primeira vista algo desfasada, mas que, bem vistas as coisas, acaba por nos dizer muito sobre o atual estado da União Europeia. E é para esse estado que quero olhar, porque tem diretamente a ver connosco, e não tanto para as posições da Polónia, que podem ser controversas, mas são apenas posições nacionais. A verdade é que quando há “choque” por causa de uma decisão óbvia e totalmente legítima por parte de um estado independente então algo vai mal nos gabinetes de Bruxelas. A lei nacional sobrepor-se tratados internacionais é a regra entre estados soberanos. A U.E. ainda não é uma federação de estados à imagem dos E.U.A., com uma constituição comum a que todos devem dar a primazia. Concerteza que é um problema alguém assinar um tratado e depois não o cumprir (se for isso que estiver em causa, o que, sinceramente, não sei). Mas isso é assunto para tribunais. O que chama a atenção neste parágrafo é mesmo a palavra “choque”. Choque” perante uma decisão legítima e democrática? Algo vai mal, muito mal, nos gabinetes de Bruxelas.

A energia verde ainda não puxa carroças

Ainda nem chegou o inverno, com os seus picos de consumo, e aí estão as primeiras consequências reais. Os cidadãos do Reino Unido, China e norte da Europa começam a perceber o que será o futuro próximo: energia a preços nunca vistos e escassez regular da mesma. 

O desenvolvimento civilizacional que atingimos baseia-se em energia barata. Se a energia não for barata, a economia a trabalhar deixa as prateleiras dos supermercados vazias ou as casas sem aquecimento. A continuidade do modo de vida atual poderá não ser exequível e é difícil que  as pessoas aceitem isso sem reagir.

Esperemos que corra tudo pelo melhor e que a transição para um mundo à base de energias renováveis seja pacifica.

 

Perder a casa da avó

Entro com cuidado e respeito. Sei que deverá ser a última vez que visito a casa da avó.
Enquanto ando com reverência pelas pequenas divisões desta catedral, vou percebendo que o fim deste lugar é o anúncio também do meu.
Um dia as crianças que trouxe comigo, as minhas filhas, deambularão de luto e em despedida por uma casa que eu terei habitado.
Recolho uns poucos objetos para me lembrar de quem aqui habitou e que eu ainda tanto amo.
Demoro-me. Comento. Narro pequenas histórias ao ver uma figueira, um espelho e um portão. Vejo, sem dizer, o tio a dormitar no sofá depois do almoço. Oiço a voz da avó misturando português e castelhano.
Fecho, por fim, a porta.

Perco hoje parte da minha infância, que deixa de ter o conforto de ter este sitio onde regressar

Censura na TVI

A expulsão do psicólogo Quintino Aires, após commentários considerados "homofóbicos" é um ato descarado de censura. Porque não estão em causa, pelo menos assim se percebe pelos argumentos dos acusadores, questões relacionadas com desinformação ou calúnia, mas apenas um ponto de vista. É certo que esse ponto de vista recorre a termos  fortes e, eventualmente, inapropriados para se fazer valer. Mas registos deste tipo são muito comuns no discurso televisivo, incluíndo, como é óbvio, o da TVI. Se isso levasse a demissões o corropio nas televisões seria louco. Não foi por isso que Quintino Alves foi despedido. Ele foi despedido porque tinha uma opinião desfavorável sobre um assunto do qual a TVI só permite opiniões favoráveis. Ora, se só um tipo de opinião é permitido, e os outros são silenciados, então estamos perante um caso de censura. Pensemos no que se passava na ditadura do Estado Novo em Portugal, ou no comunismo da Cortina de Ferro, ou noutros exemplos, que, infelizmente, não faltam por esse mundo fora. O "lápis azul" entrava ao serviço quando a verdade oficial, o ponto de vista único, era posto em causa. É para isso que a censura serve, para abafar pontos de vista divergentes, e foi o que aconteceu na TVI.

É importante referir que eu acho que a TVI tem todo o direito à censura. Entidades privadas, cidadãos, gozam desse direito, faz parte da sua liberdade. O mesmo não acontece com o Estado, precisamente para garantir a liberdade dos cidadãos e das entidades privadas.  Não se pode é censurar e depois vir dizer que se "defende causas" (mas não a mais importante, a liberdade) "e elimina tabus" (criando-os também), "apostando na diversidade" (não de perspetivas) "e multiculturalidade que" (não) "são plenamente respeitadas e celebradas”. Censure-se, mas assuma-se a falta de pluralismo.

Passa-se qualquer coisa, mas não é relevante

Sabiam que "mais de 1,3 milhões de migrantes foram detidos na fronteira com o México desde a chegada de Joe Biden à Casa Branca, em janeiro deste ano, um nível inédito nos últimos 20 anos"? Pois, para saberem têm de ler a notícia do Observador quase até ao fim e, antes do parágrafo obrigatório sobre Trump, lá descobrem a informação. Quanto aos restantes orgãos online, nada (pelo menos na minha volta informativa pela net). Imaginem se o presidente fosse ainda Donald Trump, acham que este caos na fronteira sul do Estados Unidos passaria incógnito à maioria dos portugueses? (Costa Ribas, onde estás?!). Sim, sei que estou a chover no molhado, mas já nem ligar é pior ainda. Porque este pacto silenciador que afeta toda a comunicação social portuguesa (neste e noutros assuntos) é uma mancha entranhada na nossa vida democrática. 

A saúde mental dos jovens e as Alterações Climáticas

Era inevitável. Os mais novos estão com níveis de ansiedade e pessimismo muito elevados devido às Alterações Climáticas.

A pesquisa “global”, que foi feita em 10 países para um total de 10 mil jovens entre os 16 e 25 anos, resume que:

Muitos têm a perceção que não têm futuro, que a humanidade está condenada e que os governos estão a falhar em responder adequadamente.

Muitos sentem-se traídos, ignorados e abandonados por políticos e adultos.

Quase 60% diz estar muito ou extremamente preocupados.

Mais de 45% diz que os seus sentimentos acerca das Alterações Climáticas afetam o modo como vivem o seu dia-a-dia.

75% diz que o futuro é medonho.

56% diz que a humanidade está condenada.

2/3 declaram que se sentem tristes, com medo e ansiosos. Muito sentem medo, raiva, desespero e vergonha.  

4 em 10 estão hesitantes em ter filhos.

Devido aos incêndios que se repetem, Portugal é tido como a nação rica mais preocupada entre todas as que foram escrutinadas.

Tudo isto é pavoroso e um exemplo incrível de como se pode manipular a opinião pública em massa. Retirar a esperança aos jovens é mau e contranatura.

Porque é que isso acontece? Porque deixou de existir espaço público para haver contraditório e  as Alterações Climáticas terem sido o primeiro assunto político a ser considerado acima de qualquer discussão de um modo moral. Isto é, se discordas és imoral e um patife. Os jovens não têm acesso a outros pontos de vista, como acontece com tudo o resto. 

Talvez este post nunca pudesse ser colocado em destaque no Sapo. Talvez o considerassem imoral ou capaz de trazer má publicidade à plataforma por permitir que algum tipo de dúvida em relação ao assunto seja destacada, algo considerado perigoso. É meramente um exemplo hipotético, uma vez que não conheço a política editorial do Sapo. Até tenho a ideia contrária, confesso.

É bizarro mas os factos são apresentados por ativistas que não admitem o diálogo. À Reuters, Caroline Hickman, a psicoterapeuta que conduziu o estudo e que é especialista na relação dos jovens com a ecologia, diz que a “Eco-ansiedade é um sinal de saúde mental, uma resposta inteiramente apropriada ao que se está a passar”. É citada ainda no Le Monde referindo que as feridas que os governos, devido à inação, estão a inflingir aos jovens é um caso de Direitos Humanos.  

O distanciamento científico da autora perante os dados é inexistente porque, enfim, não faz sentido existir, uma vez que não há escrutínio e aquele que falar sobre um qualquer erro é demonizado de imediato. O estudo foi feito e desenhado para obter uma só conclusão e naturalmente obteve-a. 

Houve alguém que disse há uns tempos “Deus nos livre de ser governados por psicólogos e psiquiatras”. Não poderia estar mais de acordo.   

Pacto com a Felicidade 16 – A Luz de Deus na voz de Lorraine Hunt Lieberson

 

Handel, compositor alemão. Oratorio Theodora

Ah! Whither should we fly, or fly from whom?
The Lord is still the same, today, for ever,
And his protection here, and everywhere.
Though gath'ring round our destin'd heads
The storm now thickens, and looks big with fate,
Still shall thy servants wait on Thee, O Lord,
And in thy saving mercy put their trust.

 

As with rosy steps the morn,
Advancing, drives the shades of night,
So from virtuous toil well-borne,
Raise Thou our hopes of endless light.
Triumphant saviour, Lord of day,
Thou art the life, the light, the way!

 

 

 

 

 

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